Estudos Bíblicos

 Nota: Nesta página você encontrará estudos que edificaram a sua alma, e te faram crescer na Graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo – Pr. Felipe Costa

Estudo Sobre o Tabernáculo

TIPOLOGIA

 INTRODUÇÃO

É de grande valor e necessidade, também uma bênção, quando podemos penetrar e ultrapassar os limites de nossa mente e espírito, no grande palácio de Deus, e conhecermos um pouco mais de sua ciência e filosofia, bem como, conhecer melhor do sábio construtor, através da revelação e iluminação do Espírito, como escreveu São Paulo em Romanos 11 : 33 – 36, consequentemente, isto nos torna capacitados ante as descobertas dos mistérios do Reino de Deus.

 O QUE É TIPOLOGIA ?

É o estudo das figuras e símbolos da Bíblia, com os quais Deus procura mostrar, por meio de coisas terrestres as coisas espirituais. Visto a incapacidade da mente humana de compreender as coisas divinas, nos mesmos termos encontramos no Antigo Testamento Deus falando das glórias celestiais através de coisas terrestres, ou sejam, TIPOS, ou o que revelam o ANTI-TIPO.

Não se pode conhecer o ANTI-TIPO, sem antes conhecer o TIPO.

 EXEMPLOS

 TIPO ANTI-TIPO

Adão homem carnal – Cristo homem espiritual

Enoque no carro de fogo – O arrebatamento da Igreja

O Sacerdote Melquizedeque – Cristo, o Sumo Sacerdote

Davi rei de Judá – Cristo, Rei dos reis

Maná no deserto – Alimento espiritual

Libertação do Egito –  Libertação do mundo

Marcha no deserto –  Nossa peregrinação na terra

ESTUDO TIPOLÓGICO DO TABERNÁCULO

TABERNÁCULO
Êxodo 25 e 27

Deus mandou Moisés subir no monte Sinai e, lá ordenou-lhe que construí-se um santuário. Convém lembrar que Moisés ficou 40 dias e 40 noites para receber a planta do Tabernáculo. O Tabernáculo estava dividido internamente por uma cortina que recebeu o nome de Véu.

Esta cortina o fez em dois compartimento, o primeiro recebeu o nome de Lugar Santo, o segundo compartimento era chamado de Lugar Santíssimo ou Santo dos Santos.

Havia também a parte externa do Tabernáculo e esta parte é conhecida como Pátio ou Átrio.

Para ajudar Moisés na construção do Tabernáculo, Deus escolheu dois homens, Besaleel para trabalhar com madeira, couro, prata, bronze, e na lapidação de pedras preciosas e Aoliabe para trabalhar com as cortinas, bordados, com linho e na confecção das roupas do Sumo Sacerdote e nas coberturas exteriores do Tabernáculo.

Significa lugar de habitação ou seja o lugar onde Deus iria se manifestar aos homens.

NOMES DADOS AO TABERNÁCULO

SANTUÁRIO Lugar Santo Ex. 25 : 8

HABITAÇÃO Morada Ex. 25 : 8

TENDA Lugar móvel Ex. 40 : 2

CASA DE DEUS Lugar de Deus Jz. 18 : 31

SANTUÁRIO TERRESTRE Lugar de cerimônias Heb. 9 : 1

O TABERNÁCULO COMO TIPO DE CRISTO

É o lugar onde Deus se encontra com o pecador Ex. 25 : 22

É o lugar onde Deus se revela ao pecador Ex. 29 : 43

É o lugar onde Deus habita com o pecador Ex. 25 : 8

É o lugar onde Deus fala com o pecador Ex. 29 : 45

É o lugar onde Deus recebe o pecador Lev. 1 : 4

É o lugar onde Deus perdoa o pecador Lev. 4 : 20

É o lugar onde Deus recebe a oferta do pecador Ex.23 : 15

O ÁTRIO Êxodo 27 : 9 – 19

Também conhecido como pátio. Esta área media aproximadamente 50 mts. de comprimento por aproximadamente 25 mts. de largura, contornada por uma cerca de 2,5 mts. de altura com 60 colunas erguidas a cada 2,5 mts. Esta cerca era coberta por cortinas de linho retorcido e com uma única entrada de aproximadamente 10 mts. com 4 colunas erguidas a cada 2,5 mts. e dentro deste espaço encontrava-se o Tabernáculo.

 O SIGNIFICADO DO ÁTRIO

AS CORTINASEssas cortinas eram confeccionadas em linho retorcido simbolizando o sacrifício de Cristo no calvário para nos separar do mundo

A CERCAEsta cerca tinha aproximadamente 2,5 mts. de altura o que impedia a visão do externa

AS COLUNASEstas colunas eram de metal para sustentação das cortinas simbolizando o juízo de Deus sobre seu filho

OS GANCHOSAs cortinas não podiam firmar-se sem os ganchos. Da mesma forma o cristianismo jamais poderia existir sem a expiação e a redenção feita por Jesus.

A ENTRADA –  Êxodo 27 : 16

Havia uma única entrada para o Átrio de 10 mts. onde encontramos 4 colunas. Esta entrada tinha uma cobertura com as seguintes cortinas : Linho retorcido, Estofo azul, Púrpura e Carmezim.

 SIGNIFICADO DA ENTRADA

ÚNICA ENTRADA Jesus Cristo é o único meio de Salvação.

10 METROS Simboliza entrada ampla para todos, onde não há dificuldades para entrar.

4 COLUNAS Simbolizam os 4 evangelhos.

LINHO RETORCIDO Simbolizam o sofrimento de Cristo. Sua perfeição, pureza e santidade.

ESTOFO AZUL Representa a divindade de Cristo.

PÚRPURA Representa o Cristo e sua realeza como soberano Rei e Senhor.

CARMESIM Tipifica o sangue de Cristo vertido no calvário e sua capacidade para salvar do poder do pecado pois Seu sangue nos purifica de todo o pecado

O ALTAR DE SACRIFÍCIO –  Êxodo 27 : 1 – 8

Este era o primeiro móvel encontrado logo após a entrada para o Átrio, feito de madeira de acácia revestida de bronze. As sua 4 pontas era feita em uma única peça e também recoberta de bronze, seus utensílios para recolher e espalhar as brasas ou seja as pás, as bacias, os garfos, os braseiros e os vasos foram feitos em bronze.

Este móvel tinha 2,5 mts. de comprimento por 2,5 mts. de largura e 1,5 mts. de altura, possuía uma grelha ou rede de bronze com 4 argolas e varais de madeira de acácia revestidos de bronze para poder transportá-lo.

O SIGNIFICADO DO ALTAR DE SACRIFÍCIO

O altar de sacrifício era uma figura da cruz de Cristo, local onde animais eram sacrificados em favor dos homens. Local onde o pecador se aproximava de Deus.

MADEIRA DE ACÁCIA Simboliza a origem humilde de Cristo, porém resistente.

BRONZE Material resistente ao fogo, demonstrando que Jesus resistiu a justiça de Deus.

4 PONTAS DE BRONZE Representa poder e autoridade. Em Mateus 4:1-8 Jesus vence Satanás com autoridade e também um lugar de refúgio. I Reis 1:50-51.

OS 4 LADOS IGUAIS Simboliza que no sacrifício de Cristo não há diferenciação.

 ALTURA DE 1,5 MTS. Todos podem Ter acesso ao Altar.

1º MÓVEL Para Ter um encontro com Deus, primeiro tem-se que passar por Cristo.

UTENSÍLIOS Serviam para limpar o Altar ou seja melhorar o aspecto do Altar. Manter o fogo aceso espiritualmente.

AS BRASAS É o fogo consumidor, a manifestação de Deus. Símbolo do sacrifício queimado e aceito. Lv.9:23-24.

CINZAS Representa os pecados perdoados e consumidos pelo fogo espiritual.

O LAVATÓRIO DE BRONZE –  Êxodo 30: 17 – 21

Conhecida também como Pia de Bronze, era feita de bronze e foi usado espelhos de metal das mulheres, ficava no Átrio, entre o Altar de Sacrifício e o Tabernáculo. Pouco se sabe sobre seu formato, sabe-se apenas que era uma bacia, colocada sobre um pedestal também de bronze.

Esta Pia só poderia ser usada pelo Sumo Sacerdote e os Sacerdotes quando entrassem na Tenda, ou quando chegassem ao Altar para ministrar, na ocasião da consagração deveriam tomar banho completo. Este ato impediria que eles morressem em serviço.

Não é estipulado um medida para este móvel, e não há indicação de argolas e varais para transporte e não era coberto durante o seu transporte.

O SIGNIFICADO DO LAVATÓRIO

ÁGUA Simboliza a Palavra de Deus que nos purifica de todo o pecado.

BANHO COMPLETO Simboliza e regeneração completa em Cristo. Heb. 12 ; 14

MÃO E PÉS Representa um trabalho sincero, limpo e um andar de acordo com a Palavra de Deus.

ESPELHOS Tipifica a revelação de Deus para nós, mostra-nos as falhas e demonstra as virtudes.

SEM MEDIDARepresenta a graça ilimitada, fonte de Palavra inesgotável.

NÃO ERA COBERTA Simbolizando que a Palavra de Deus não é secreta mas está revelada a todos.

APÓS O ALTAR A Palavra de Deus só terá sentido quando o homem passar pelo Altar de Sacrifício que é Cristo

FORA DA TENDA Para Ter acesso ao conhecimento das coisas divinas, tem-se que passar pela lavagem da Palavra de Deus.

A TENDA –  Êxodo 26 : 1 – 30

Era como uma caixa de 15 mts. de comprimento, 5 mts de largura e 5 mts. de altura. Construída com 48 tábuas de 75 cms. Sendo 20 tábuas em cada lado e 8 nos fundos. Para cada tábua existiam 2 bases de prata, portanto 96 bases foram usadas em todo o Tabernáculo, ainda foram feitos 15 travessas de madeira e 1 travessão central para fixação das tábuas, tanto as tábuas, as travessas e o travessão eram cobertos de ouro.

A entrada possuía 5 colunas de madeira de acácia cobertas de ouro com 5 bases de prata e colchetes de ouro para fixação do cortinado de linho fino retorcido, azul, púrpura e carmesim.

10 cortinas de linho fino retorcido, azul, púrpura e carmesim com querubins bordados. Cada cortina tinha 14 mts. de comprimento por 2 mts. de largura, ligadas em grupos de 5 cortinas através de 50 colchetes de ouro

11 cortinas de peles de cabras, com 15 mts. de comprimento por 2 mts. de largura, ligadas em grupos de 5 e 6 cortinas através de 50 colchetes de bronze sendo que a 6ª cortina pendia na frente da Tenda. 2 cortinados de peles de carneiro e peles de animais marinho.

O SIGNIFICADO DA TENDA

LINHO FINO RETORCIDO Ficava debaixo de todas as outras cortinas ou seja era o teto da Tenda, representando a humanidade de Jesus, Sua pureza, perfeição e sofrimento.

AZUL Demonstrava um Cristo celestial, Sua natureza divina e a infinitude das bênçãos celestiais.

PÚRPURA Representa a realeza de Cristo e seu Senhorio.

CARMESIM Tipifica o sangue de Cristo vertido no calvário e sua capacidade para salvar do poder do pecado pois Seu sangue nos purifica de todo o pecado.

PELE DE CABRAS Animal utilizado para oferta pelo pecado, simbolizando a morte expiatória de Cristo para remoção dos pecados.

PELES DE CARNEIROS Pintada de vermelho representa o cordeiro que foi levado ao matadouro. Não era vista por ninguém.

PELES DE ANIMAIS MARINHO Era a peça que ficava exteriormente, cobrindo as demais. Não tinha beleza, era de cor acinzentada e escondia ainda a beleza do Tabernáculo. Isaías 53:2-3. Era a cortina mais resistente aos intempéries.

 CORTINAS Fala de proteção contra o sol, chuva e tempestade de areia. A proteção divina está relacionada ao poderio dos querubins ( anjos ), nos livra do poder do pecado e da ira futura.

A VISÃO EXTERNA Do lado de fora do Átrio não era possível ver a parte interior a não ser o lado externo da Tenda. Símbolo da aparência da Igreja.

OS QUERUBINS Representam a glória do Senhor dentro da Tenda, a visão das coisas espirituais.

OS COLCHETES Assim como os colchetes uniam as cortinas, fica aqui representado pelo Espírito Santo que faz a união entre Cristo e a Igreja, também demonstra a união entre os cristãos.

O LUGAR SANTO

 No Lugar Santo o acesso era restrito, somente o Sumo Sacerdote e o Sacerdote tinham permissão para entrar, era um local de 10 mts. de comprimento, ao lado direto de quem entrava, ficava a Mesa da Proposição ou dos Pães Asmos, do lado esquerdo ficava o Castiçal de ouro também conhecido como Candelabro, ao centro e em frente à entrada do Lugar Santíssimo ou Santo dos Santos ficava o Altar de Incenso.

O SIGNIFICADO DO LUGAR SANTO

 ACESSO RESTRITO Somente para os que passaram pelo sacrifício de Cristo e lavaram-se no Lavatório pela Palavra de Deus.

LOCAL DA MESA Representa o sustento espiritual.

LOCAL DO CASTIÇAL Representa a luz do Espírito Santo.

LOCAL DO INCENSÁRIO Símbolo da adoração sincera, local onde Deus recebe as nossas orações.

A MESA  – Êxodo 25 : 23 – 30

 Construída em madeira de acácia com 1 mt. de comprimento por 75 cms. de altura e 75 cms. de largura, toda recoberta com ouro puro, possuía ainda uma moldura lateral na largura de uma mão e uma coroa de ouro em sua volta. Foram fixadas 4 argolas próximas aos pés para colocação dos varais de transportes.

Também foram feitos pratos para os pães asmos e as taças de ouro. Os pães eram colocados nos pratos em duas pilhas de 6 pães cada uma.

O SIGNIFICADO DA MESA

 A MESA Tipifica Cristo que sustenta com alimentação espiritual.

MOLDURA Para evitar que os pães caíssem no chão.

PÃO DA PROPOSIÇÃO Pão da face ou da presença, o alimento espiritual, ( Eu sou o pão da vida ) é o alimento universal. Não havia outro tipo de alimentação e não podia ser comido fora da Tenda. Estes pães eram comidos no dia de Sábado o dia do Senhor.

2 PILHAS DE PÃES Simbolizam a união entre Cristo e a Igreja, também a união entre os irmãos.

O CASTIÇAL – Êxodo 25 : 31 – 40

O Castiçal foi feito de ouro puro e não é mencionado seu tamanho, somente que pesava em torno de 44 Kgs., tinha uma base como sustento da coluna central, esta coluna tinha 6 hastes, sendo 3 de cada lado, contendo copos, maçãs e umas flores, em suas extremidades ficavam as lâmpadas em formas de amêndoas.

O Sacerdote cuidava para que o Castiçal permanecesse sempre aceso ( Ex. 27:20 ), não podia deixar o azeite se acabar, portanto duas vezes ao dia ele provia o óleo e cuidava dos pavios com o espevitador de ouro.

Suas hastes eram ocas para permitir que o azeite colocado na coluna central tivesse o mesmo nível em todas as hastes e assim todas as lâmpadas fossem acesas. Este era o único meio de iluminação no Lugar Santo.

O SIGNIFICADO DO CASTIÇAL

O CASTIÇAL Representa a Igreja que brilha nas trevas. Cristo disse “vós sois a luz do mundo” Mat. 5 : 14

SEM MEDIDA A luz gerada não tem limite.

COLUNA CENTRAL Representa Cristo por onde flui o Espírito Santo

HASTES LATERAIS Simbolizam os Cristãos ligados a Cristo.

MAÇÃS Representam os frutos gerados através de nossas vidas.

FLORES Representam os dons espirituais que recebemos para usá-los na obra de Deus.

O AZEITE Símbolo do Espírito Santo. Sal. 92 : 10 a azeitona era espremida para que produzisse o azeite. Jesus Cristo passou por este processo para que hoje pudéssemos receber o Espírito Santo.

AS LÂMPADAS A sua uniformidade representa a união entre todos os membros do corpo de Cristo.

O FOGO Representa a luz que existe em cada um. Esta luz era igual em todas as hastes.

SEMPRE ACESO Era da responsabilidade do Sacerdote manter o fogo aceso, portanto nós também devemos manter em nossas vidas o Espírito Santo sempre atuante.

PAVIOS Estavam sempre limpos para produzir um fogo perfeito, sem fumaça ou borrões.

ESPEVITADOR Símbolo do Espírito Santo que mantém os pavios em condições de estar acesos.

HASTES OCAS Em hipóteses alguma as hastes poderiam ficar obstruídas ou seja o Espírito Santo deve Ter livre acesso as nossas vidas.

O ALTAR DE INCENSO –  Êxodo 30 : 1 – 10

Conhecido também como Altar de Ouro, media 1/2 mt. de comprimento e 1/2 mt. de largura por 1 mt. de altura , foi feito em madeira de acácia e revestida em chapas de ouro. O Altar tinha pontas de ouro e duas argolas também de ouro para colocar os varais de transporte de madeira e revestido de ouro. Este Altar ficava em frente a entrada do Lugar santíssimo.

Sobre o Altar queimava-se o Incenso Sagrado, Arão estava incumbido de queimar sobre ele todas as manhãs e a tarde quando fosse acender o castiçal com o fogo do Altar de Sacrifício. Deus não aceitava sobre ele incenso estranho, nem holocausto e nem ofertas, pois o Incenso significa adoração e intercessão.   O Incenso utilizado neste Altar continha elementos raríssimo de ser encontrado e de preço elevado. ( Estoraque, Onicha, Galbano e Franquincenso ) Êxodo 30:34-38.

Esta composição passava por um processo de secagem antes do uso e não podia ser utilizada para outra finalidade a não ser no Altar de Ouro.

O SIGNIFICADO DO ALTAR DE INCENSO

ALTAR Local de adoração

INCENSO Simboliza o cheiro agradável das orações realizadas e inspiradas pelo Espírito Santo.

TODAS AS MANHÃS Demonstra que todos os dias devemos chegar-se a Deus através da oração e adoração.

SOMENTE INCENSO Significa que devemos reservar para Deus um momento de adoração

INCENSO RARO A Bíblia revela que Deus procura os verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade.

ESTORAQUE Substância tirada de uma árvore que existe nas montanhas de Gileade. Era uma substância que saía sem incisão. Símbolo da Oração, Adoração e Louvor espontâneo.

ONICHA Era extraído de um caranguejo que tem no fundo do Mar Vermelho. A verdadeira Adoração emana do profundo dos nossos corações.

GALBANO Era produzido de folhas de um arbusto da Síria, que esmagada produzia uma seiva. Devemos oferecer uma Adoração com um coração quebrantado.

 FRANQUINCENSO Era uma resina obtida de uma pequena árvore, por incisão, de onde saía lentamente durante a noite. Representa a fragância do sofrimento de Cristo e do nosso esforço em adorá-lo.

O VÉU DO TABERNÁCULO – Êxodo 26 : 31 – 37

 O véu dividia a Tenda em dois compartimento, o Lugar Santo do Lugar Santíssimo, este véu também era conhecido como Grande Véu.A passagem por este Véu era proibida a não ser no dia da expiação do Povo de Israel.O Véu era tão espesso e tão fortemente costurado que precisaria 10 homens para poder rasgá-lo.

Deus mandou fazer Véu de Estofo Azul, púrpura, carmesim e linho fino retorcido com querubins bordados.

Este Véu foi colocado sobre 4 colunas de madeira de acácia coberta de ouro cujas bases eram de prata e era ligado ao teto por colchetes de ouro.

O SIGNIFICADO DO VÉU

LINHO RETORCIDO Representando a humanidade de Jesus, sua pureza, perfeição e sofrimento

AZUL Demonstra um Cristo celestial, sua natureza divina e a infinitude das bêncãos celestiais.

PÚRPURA Representa a realeza de Cristo e seu senhorio.

CARMESISM Tipifica o sangue de Cristo vertido no calvário e sua capacidade para salvar do poder do pecado pois seu sangue nos purifica de todo o pecado.

ENTRADA PROIBIDA Cristo abriu o caminho para o céu. Este véu fora rasgado por Deus quando da crucificação de Jesus Cristo no calvário. Lucas 23: 45, Mateus 27 : 50-51

O LUGAR SANTÍSSIMO

No Lugar Santo ou Santo dos Santos o acesso era restrito, somente o Sumo Sacerdote tinha permissão para entrar uma única vez ao ano no dia da expiação, levando sangue do sacrifício e aspergindo-o sobre Propiciatório, era um local de 5 mts. de comprimento, onde ficava a Arca da Aliança com a tampa chamada Propiciatório e seus Querubins de ouro, e dentro encontrava-se : O pote de Maná, As Tábuas da Lei e a Vara de Arão.

A ARCA DA ALIANÇA –  Êxodo 25 : 10 – 16

Conhecida também como Arca do Concerto, media 1,25 mts. de comprimento e 75 cms. de altura e 75 cms de largura, foi feito de madeira da acácia e revestida em ouro por dentro e por fora. A Arca possuía também 4 argolas de ouro para colocar os varais de transporte de madeira e revestido de ouro. Durante as mudanças a Arca ia adiante do povo.

O SIGNIFICADO DA ARCA DA ALIANÇA

 REVESTIDA DE OURO Representa a glória de Deus sendo manifestada. Simbolizava também o Trono de Deus onde havemos de comparecer.

AS TÁBUAS DA LEI Neste lugar nunca mais se quebraram, demonstrando que Deus vela pela sua palavra.

O POTE DE MANÁ Simboliza o alimento inesgotável que provem de Deus e não se deteriora com o tempo.

A VARA DE ARÃO Simboliza o ornamento de uma nova vida, e que jamais murchará. Tipifica também um ministério frutífero.

O PROPICIATÓRIO – Êxodo 25 : 17 – 22

O Propiciatório como já mencionamos, era a tampa da Arca. Esta peça fora fabricada em ouro maciço batido em bigorna onde nas suas extremidades estavam dois Querubins com as suas asas por cima cobrindo assim o Propiciatório, estes estavam com as suas faces defronte porém voltadas para o Propiciatório. Uma vez ao ano o Sumo Sacerdote aspergia com sangue do sacrifício o Propiciatório.

 O SIGNIFICADO DO PROPICIATÓRIO

PROPICIATÓRIO Demonstrava que o lugar era propício ao homem que se arrepende.

OURO MACIÇO Tipifica a pureza e valor do sacrifício de Cristo. E representa também a sua realeza.

QUERUBINS Representavam a presença de Deus.

ASPERSÃO Simboliza o sangue de Jesus que foi aspergido uma única vez pelos nossos pecados.

Disse Jesus ” Eu sou o caminho a Verdade e a Vida “

O SACERDOTE – Êxodo 28 : 1 – 43

Deus nomeou Arão e seus filhos para servirem no sacerdócio onde Arão seria consagrado a Sumo Sacerdote e seus filhos a Sacerdotes. Os levitas, por seu zelo espiritual foram escolhidos para auxiliarem no sacerdócio mais especialmente nos transportes dos móveis e utensílios do Tabernáculo.

As funções dos Sacerdotes eram servir como mediadores entre o povo e Deus, consultar a Deus sobre sua vontade, ser como mestres da lei e ministrar as coisas sagradas do Tabernáculo.O Sumo Sacerdote era ainda mais importante pois somente ele podia entrar no Lugar Santíssimo. Somente ele usava o peitoral com os nomes das tribos e de consultar a Deus por meio de Urim e Tumim.

Para ser consagrado ao Sacerdócio era necessário que o homem não tivesse nenhum defeito físico, devia casar-se com uma mulher exemplar, não podia contaminar-se com os costumes pagãos e nem tocar em cosias imundas.

O SIGNIFICADO DO SACERDOTE

SACERDOTE Representa que somos mediadores, intercessores, conhecedor da vontade de Deus e transmissor da mesma.

SUMO SACERDOTE Representa Cristo, aquele que entrou uma vez, por todos nós.

NOMEADOS O cristão é eleito pelo Senhor Jesus Cristo e consagrado ao serviço de Deus.

OS LEVITAS Símbolo daqueles que são escolhidos para serviços especiais na obra de Deus.

URIM E TUMIM Representa a vontade de Deus, que deve ser levada sempre conosco.

DEFEITOS FÍSICOS Símbolo do pecado que dificulta ao homem se aproximar de Deus.

AS VESTES SACERDOTAIS E SEU SIGNIFICADO – Êxodo 39 : 1 – 31

 Eram confeccionadas de linho fino e era obra primorosa. Todo Sacerdote devia usar.

TÚNICA BRANCA Era a primeira a ser colocada. Representando o dever de uma vida santa e pura.

UM CINTO Este era amarrado sobre a Túnica. Representa o serviço realizado com sinceridade e pureza

UMA MITRA Era feita de linho fino e enrolado ao redor da cabeça de Arão em forma de um turbante, na parte da frente era colocada uma fita azul onde era fixada uma lâmina de ouro puro na qual foi gravada “Santidade ao Senhor” Significa obediência e assim refletir como a lâmina a glória de Deus.

O MANTO AZUL Era feito de estofo azul. Era uma só peça de cima abaixo. Em cima havia uma abertura para a cabeça e que ia até abaixo dos joelhos, as orlas do manto eram adornadas com campainhas de ouro e romãs que se alternavam para sinalizar seus movimentos. Simbolizavam as coisas celestiais e de uma vida frutífera representadas pelas romãs e de testemunhos de vida abundante e os dons espirituais representados pelas campainhas.

O ÉFODE Era a vestimenta exterior e sem manga, uma espécie de colete ligado por um cinto e ombreiras, feito de fios de ouro, estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino. Duas pedras sardônicas eram colocadas sobre as ombreiras, cada pedra tinha gravado 6 nomes das tribos de Israel. Era uma vestimenta reluzente e gloriosa. Representa a natureza espiritual do cristão. Também representa as duas natureza de Cristo.

O PEITORAL Tinha aproximadamente 20 cms. e era ligado ao Éfode, era uma espécie de saco também feito de fios de ouro, estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino, na frente havia 12 pedras em quatro fileiras e de diferentes valores, e em cada pedra estava gravado o nome de uma tribo, dentro fora colocado o Urim e o Tumim que significa Luzes e Perfeições que servia para consultar a Deus sobre sua vontade.

Este era colocado na frente do Éfode, seguro com correntes de ouro que pareciam cordas presas nos ombros por duas pedras de igual valor. Na parte inferior havia duas argolas de ouro onde uma fita azul ligava o peitoral com duas outras argolas de ouro no próprio Éfode.

Simboliza Israel e a Igreja que é conduzida pelo Senhor. Esta peça sustentada pelos ombros, demonstra como Cristo conquistou a Igreja.Revela também a beleza inigualável da Igreja apoiada no peito de Jesus ou seja no seu coração. Quando estamos nesta condição podemos saber a vontade de Deus. Como salvos somos todos iguais porém com dons diferentes e uns mais próximos ao coração.

RESUMO DO ESTUDO DAS VESTES SACERDOTAIS

 TÚNICA DE LINHO O Imaculado

CINTO DE LINHO O Servo

MANTO O Celestial

ÉFODE Cristo e sua glória

AS PEDRAS NOS OMBROS Aquele que fortalece

PEITORAL O Amoroso

MITRA O Obediente

A LÂMINA DE OURO A Presença de Deus

Espero que você tenha sido edificado através deste estudo!

Deus abençoe sua vida.

A Lei da Semeadura e da Colheita

→Por: Pr. João Marcos

Colhemos o que plantamos

(Gl 6.6-10)

INTRODUÇÃO

O assunto não é abordado com profundidade nas Igrejas e quando ocorre sempre vem atrelado com a área financeira. Tem sido o principal tema dos adeptos da “Teologia da Prosperidade”, onde o céu se transforma numa agência financeira e Deus num grande bancário.

O estudo de hoje propõe uma análise mais focada no princípio norteador desta Lei que rege a todos os seres e não a um grupo especifico. É uma lei que não se pode mudar na esfera humana, você colhe aquilo que planta e aonde planta.

I. ASPECTOS RELEVANTES DAS LEIS

1. A soberania de Deus

a) Somos estimulados em toda a Bíblia a pratica do que é bom (Ec 12.13-14)

b) A Bíblia em sua mensagem redentora descreve em suas páginas a entrega, a doação, a vontade própria subjugada em favor do próximo (Mc 12.30-31)

c) Deus não se deixa enganar e escarnecer (v.7)

– recompensa o homem de acordo com suas ações (Jr 17.10);

2. O livre arbítrio do homem

a) O ciclo da semeadura é constante (Gn 8.22)

b) O homem é que determina a espécie de semente que ira plantar

c) É necessário ter intenção de semear, pois o preguiçoso nada terá (Pv 20.4; 21.25)

d) Por exemplo: se você quiser um emprego. O que deve semear?

3. A escolha do solo

a) Cada semente tem seu tempo e solo apropriado

– a escolha do solo influência o resultado (Mc 4.1-8);

b) Terreno da carne ou terreno do Espírito?

– fazer o bem ou fazer o mal?

c) Uma vez enxertados em Cristo, nossas sementes são para o Reino de Deus (Jo 15.1-8)

d) O Reino de Deus é um grande campo onde se cultiva novas vidas (Mc 4.26-29)

4. Princípios básicos

a) O resultado (fruto) da colheita é inerente a espécie que foi plantada;

b) A colheita ocorre na área em que foi plantada a semente;

c) Existe um tempo entre a semeadura e a colheita;

d) Nunca colhemos na proporção que plantamos;

II. A LEI DA SEMEADURA

1. A semeadura requer uma atitude

a) Tudo o que semeamos a seu tempo colheremos (Pv 26.2)

– é um ato de fé, pois nem sempre o contexto parece favorável para se lançar a semente;

b) A semeadura resulta numa colheita, seja ela boa ou má (Pv 12.14)

– a semeadura é opcional mais a colheita é obrigatória;

c) Estamos sempre semeando por meio de nossas ações e atitudes;

– o ato de não semear comprometerá o futuro;

d) Existem vários tipos de sementes:

– sementes para uso pessoal;

– sementes para ajudar o próximo;

– sementes para semeamos;

2. A semeadura material (Os 8.7)

a) A semente precisa morrer para viver e dar fruto (Jo 12.24)

b) A origem é segundo a espécie (Gn 1.11)

c) Quem almeja um bom resultado escolhe as melhores sementes (selecionadas)

3. A semeadura carnal (v. 8a)

a) Trata-se da velha natureza humana – decaída pelo pecado (Rm 7.19)

b) Conduz o homem a prática dos frutos da carne (Gl 5.19-21)

c) Seu resultado e avassalador (Pv 22.8)

– devemos subjugar o velho homem e deixar que a nova criatura exerça seu papel diante de Deus (Jo 3.30)

4. A semeadura espiritual (v. 8b)

a) A semente divina está dentro de nós (1Jo 3.9);

b) Manifesta pelas virtudes do fruto do Espírito Santo (Gl 5.22-23)

– Jesus morreu em corpo terreno, mais ressuscitou em corpo glorificado (Gl 3.13-14);

– até hoje seu ato produz fruto neste mundo (Mt 13.37-38);

– Deus escolheu a melhor semente que tinha e plantou nesse mundo (Jo 3.16);

c) Somos levados a plantar por fé, para ver em nossas vidas o sobrenatural (1Tm 6.12)

d) Ofertar é melhor que receber (At 20.35)

e) A semente para o mundo é a Palavra de Deus

III. A LEI DA COLHEITA

1. O resultado é temporal

a) Cada semente tem o seu período de germinar, crescer e dar frutos (Tg 5.7)

b) Não há resultados imediatos, pois o fruto é um dos últimos estágios

c) A semeadura visa um resultado futuro (Ec 11.6)

– colhemos hoje o que plantamos no passado e colheremos amanhã o que plantarmos hoje;

2. O resultado é previsível

a) Colhemos na área que plantamos (Tg 3.12);

– amor, finanças, alegria, união,….

b) A colheita é maior que a semeadura (Sl 126.5,6)

– pois sempre recebemos mais do que plantamos (milho – espiga; vento – tempestade)

c) Colheita não é questão de sorte, por isso não espere aquilo que não plantou

3. O resultado é proporcional

a) Quem semeia pouco colhe pouco (2Co 9.6,10)

b) Quem semeia muito colhe muito (Lc 6.38)

c) Regra: Quanto mais se semeia (dá) mais se colhe (recebe)

– lógica diferente da “Poupança” (guardar para ter);

d) Boa parte do que plantamos colhemos em vida

CONCLUSÃO

Seja prudente. Semeie boas sementes. Plante aquilo que deseja colher. Quem quiser:

– milagre deve plantar fé;

– ter bênção financeira deve investir no Reino de Deus;

– ter um casamento feliz deve plantar um bom relacionamento;

– ter um ministério poderoso dever plantar uma vida consagrada;

Qual tem sido o resultado de sua colheita?

Mude sua história a partir de hoje!

Estudo Sobre Divórcio e Novo Casamento


Autor :

Prof. João Flávio Martinez

O QUE A PALAVRA DE DEUS FALA SOBRE ESTE ASSUNTO?

Estamos vivendo em uma época em que as separações entre casais estão dia-a-dia mais comuns e o casamento mais insignificante no consciente coletivo. E um dos efeitos sociológicos dessa mudança de paradigmas é a questão da separação no meio cristão que, infelizmente, cresce em níveis assustadores. Como responder a essa vulgarização do casamento como instituição? Como conciliar esses abusos e dar uma resposta a altura a esses infortúnios flagelantes contra o casamento?

Atualmente até líderes cristãos destilam setas contra o matrimônio, veja essa do Rev. Caio Fábio: “Se você é um escravo, mas creu; ande em Cristo. Se puder quebrar as correntes; quebre-as. Escravidão não é aquilo para o que fomos chamados. Há casamentos que são usinas de aflições e doenças. Qual é a vontade de Deus? Deixar que o menino fique no buraco porque a lei o determina; afinal, trata-se do sábado do casamento? o que você acha da mulher rixosa? Meu Deus! Quem puder ficar livre dela, que fique o quanto antes; ou então, que se console com uma goteira na cabeça; ou que faça amor com um espinheiro”

Uma coisa é o pecado do indivíduo ignorante, daquele que não conhece o evangelho de Cristo, outra é pecar conscientemente e viver nesse pecado; “Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância… Porque se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados…” (At 17.30; Hb 10,26).

Com certeza, a Bíblia Sagrada tem o veredicto final sobre este assunto e estaremos analisando-o nesse escopo.

SOBRE O CASAMENTO:

Foi instituído por Deus, descartando a poligamia.

Leiamos:“Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea… Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem. Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada . Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne”. (Gn.2:18-24)

“… mas, por causa da prostituição, tenha cada homem sua própria mulher e cada mulher seu próprio marido”. (ICor.7:2)

Os textos lidos explicitam o beneplácito de Deus na união do homem com a mulher, é uma simbiose plena! Tudo quanto Deus fez, foi dito que era “bom”, mas quando o homem e a mulher foram criados, foi dito “muito bom” (Gn.1:27 e 31). Isso nos mostra o quanto o casamento agradou a Deus. A família sempre foi um projeto divino e o casamento feito para ser indissolúvel (Mt.19:6). O Senhor não gostou de observar Adão andando sozinho e sem ter com quem compartilhar a sua vida. Era como que se a criação estivesse incompleta sem a família, daí o nascimento da primeira mulher, Eva. Eva foi tirada das costelas de Adão, ou seja, do seu lado e isso propositadamente, para deixar claro o companheirismo que deverá sempre ser vivido pelo casal.

Na criação vemos também que o Senhor quer que cada homem tenha a sua mulher e cada mulher o seu homem. Existem povos e religiões que aceitam a poligamia (ato de se ter mais de um parceiro) e até alguns que dizem professar o cristianismo. Argumentam, os tais, que vários homens de Deus tiveram mais de uma mulher e que isso não tirou deles o título de servos de Deus. É importante notarmos que a Bíblia relata vários fatos pecaminosos cometidos por homens que serviam a Deus. Entretanto, esses fatos são narrados não para fazermos o mesmo, mas para apreendermos e não cometermos os mesmos erros. Se analisarmos todos os casos de poligamia cometida por homens de Deus, veremos que esse ato sempre foi acompanhado por uma tragédia. Um dos casos mais chocantes é o de Abraão. Deus havia lhe prometido um filho e que dele, Abraão teria uma grande descendência. Só que a sua esposa, que era estéril, resolveu “ajudar” a Deus. Sara fez o que chamamos hoje de “barriga de aluguel” tomando a sua empregada Agar e dando-a a seu marido em seu lugar, nascendo dessa relação, Ismael, do qual descenderiam os ismaelitas, inimigos terríveis de Israel até hoje. Tudo isso aconteceu por Abraão ter cometido a poligamia (Leia a história de Abraão – Gn.12-25). Poderíamos citar os casos de Jacó, Davi, Salomão e outros, os quais foram trágicos, porém comentaremos somente um. O que é importante, é vermos o propósito de Deus que é um casal vivendo um para o outro em fidelidade. Deus poderia ter tirado mais duas ou três costelas de Adão, mas não o fez por ser contrário à poligamia.


O que é tornar uma só carne?

Alguns não entendem o que é ser uma só carne. Alguns acham que se tornar uma só carne é assinar um documento no cartório ou receber a benção do pastor na igreja, mas não é isso. Leiamos:

“Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um corpo com ela?”(Daí o aviso e exortação do Apóstolo) .

Quando há o coito ou ato sexual, o casal torna-se uma só carne e estão, aos olhos de Deus, casados. O Apóstolo Paulo explicou justamente isso aos corintios, condenando os que praticavam a prostituição, deixando claro que os casados já eram uma só carne com as suas esposas e os solteiros deveriam guardar-se para as suas futuras esposas, pois ao saírem com prostitutas tornavam-se uma só carne com elas e contaminavam as suas vidas espirituais (Obs: Em Corinto havia templos de prostituição e sair com uma mulher desses templos era considerado ato sagrado e, por isso Paulo esclareceu o assunto) (ICor.6:16).

SOBRE A SEPARAÇÃO E O NOVO CASAMENTO

Quando o casamento pode ser desfeito?

A princípio a resposta a essa pergunta é: “o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt.19:6). Esse versículo (Mt.19:6) nos deixa claro que, para Deus, deve haver só uma união matrimonial e que sua vontade é que dure para sempre. Entretanto, existem dois casos na Palavra de Deus que é licito contrair novas núpcias.

Os casos são os seguintes:


1) – Quando há o adultério – leiamos: 

“Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher(isso vale também para o homem), a não ser por causa de infidelidade (adultério) , e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério” (Mt.19:9; 5:28-Mc.10:6-12).

“Não adulterarás” (Êx.20:14).

Quando interrogado acerca da separação conjugal e da carta de divórcio permitida por Moisés (Dt.24), Jesus começa todo um esboço sobre o tema referido. Sua declaração é dura, pois na lei mosaica poderia o marido repudiar a sua esposa por qualquer “ato indecente” ou que ele achasse indecente, porém o Senhor volta lá no princípio (Gênesis) e mostra o propósito do Pai – o casamento sem separação. Todavia, o Senhor nos narra aqui um motivo para que esse casamento venha a ter fim e outro possa ser contraído. O fator adultério é frisado nesta conversa com os judeus e explicado como o único motivo para a separação conjugal e ainda o texto nos deixa base para compreendermos claramente que o traído poderá até contrair novas núpcias e ainda ficar de acordo com a Palavra de Deus. Há também a possibilidade do perdão, se o adúltero se arrepender. Quando há arrependimento, por parte do adúltero, o melhor e mais aconselhável é perdoar e lutar para manter o casamento e a família unida.


2)– Em casos de viuvez

“Porque a mulher casada (isso vale também para o homem) está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido. De sorte que, enquanto viver o marido, será chamada adúltera, se for de outro homem; mas, se ele morrer, ela está livre da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido” (Rm.7:2-3).

“A mulher está ligada enquanto o marido(ou esposa) vive; mas se falecer o marido(ou esposa), fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (ICor.7:39).

A frase “até que a morte nos separe” é interpretada nos versículos citados acima e que bom seria se só a morte fosse o motivo da separação. O viuvo ou viuva não é obrigado a ficar sozinho na vida. Deus dá a liberdade a esta pessoa para encontrar outro companheiro cristão, para juntos terminarem a carreira. Isso é uma decisão de cada viúvo, se não casar, amém, se casar, aleluia!

Só nessas duas hipóteses é que poderá haver um novo casamento. Por isso a escolha de um esposo ou esposa é de extrema importância e não deve ser feita às pressas. É uma decisão para toda a vida e não uma experiência para ver se vai dar certo. A escolha errada poderá comprometer toda a vida de um indivíduo.


O CRENTE E O DESCRENTE

“ Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher incrédula, e ela consente em habitar com ele, não se separe dela. E se alguma mulher tem marido incrédulo, e ele consente em habitar com ela, não se separe dele. Porque o marido incrédulo é santificado pela mulher, e a mulher incrédula é santificada pelo marido crente; de outro modo, os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos. Mas, se o incrédulo se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou a irmã, não está sujeito à servidão; pois Deus nos chamou em paz” (ICor.7:12-15).

O relato de Paulo é claro em relação ao crente e o descrente no matrimônio. O crente, por mais que sofra, nunca deverá tomar a iniciativa de procurar o divórcio. Afinal de contas o crente crê na promessa de Deus; “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (At.16:31). Sabemos, infelizmente, de casos inadmissíveis que, embora o incrédulo não queira a separação, ele massacra seu cônjuge. Nesses casos aconselhamos, não o divórcio, mas que o agredido procure as autoridades competentes (Rm.13), pois mesmo o incrédulo é obrigado a cumprir as leis do seu país. É claro que essa atitude só é tomada em extrema necessidade. Devemos sempre estar dispostos a sofrer pelos não salvos, imitando assim o nosso Senhor. Devemos lembrar também que se o descrente apartar-se, o crente não deverá ainda assim contrair novas núpcias, ou seja, casar-se novamente. Certamente o descrente ao apartar-se, não vai querer ficar sozinho, e ao casar-se novamente comete o adultério, dando assim, ao crente liberdade para, se quiser, casar-se também.

HÁ PERDÃO PARA O ADÚLTERO?

Notei ao estudar o referido tema, que a maioria dos comentaristas não gostam de falar sobre como fica o adúltero. Será que para ele não há mais perdão? Existem denominações que o adúltero é excluído por, aos olhos deles, ter cometido um pecado imperdoável. Será isso ensinado pela Bíblia? E o poder do sangue de Jesus? Leiamos então:

“Então os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. Ora, Moisés nos ordena na lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isto os diziam, tentando-o, para terem de que o acusar. Jesus, porém, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo. Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse-lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé. Então, erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém senão a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais”.

No texto lido é nos mostrado que Deus ama e se preocupa com o adúltero, embora abomine o adultério. O Senhor Jesus com prazer perdoou a mulher adúltera, mostrando que há perdão. É claro que não podemos nos esquecer do arrependimento da adúltera e da frase “vá e não peques mais”.

Qual é o pecado que não tem perdão

Quero explicar isso, pois já encontramos varias pessoas jogadas e sem esperança por causa de alguns conceitos errados sobre o adultério. Existem casos em que, por exemplo, o adúltero se arrependeu e voltou para com seu parceiro e nem assim foi perdoado pela denominação. Cabe aqui, então a nossa explicação sobre o “pecado que não tem perdão”. Leiamos: “Em verdade vos digo: Todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, bem como todas as blasfêmias que proferirem; mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, mas será réu de pecado eterno” (Mc.3:28-29).

O Senhor Jesus, no texto acima, nos mostra que quando a pessoa fala mal de uma obra, sabendo que é de Deus e a imputa como sendo do Diabo, cometendo conscientemente então o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo, esse sim, não tem perdão. Certa feita eu perguntei, ao meu saudoso professor de teologia, como alguém poderia saber se cometeu esse pecado. Ele me respondeu dizendo: “Se dentro dele houver temor de cometer esse pecado ou ter cometido já é uma prova de que ele não cometeu. Em Jo.16:8 fala que o Espírito Santo é o que convence o homem da justiça, do juízo e do pecado. Só o Espírito de Deus pode trazer essa consciência de pecado e isso mostra que Ele ainda ama aquela pessoa, a qual está preocupada em ter blasfemado”. Entretanto comparar blasfêmia contra o Espírito Santo e adultério é errado.


O caso do Rei Davi

E o que dizer de Davi? Houve o adultério por parte desse homem de Deus, mas houve também o perdão, pois Davi arrependeu-se amargamente e clamou ao Senhor( Sl. 51)

É notório que Davi não só cometeu o adultério, mas também o assassinato de Urias e ainda casou-se com Bate-Seba. Entretanto, chorou amargamente e pagou um alto preço, pois o adultério nunca acontece sem ser acompanhado por uma grande desgraça. Davi alcançou o perdão de Deus (Leia: IISm.11 e 12), mas a custos elevadíssimos!

Guarde isso: “Sempre há perdão para aquele que se arrepende, mas o fruto do adultério fica trazendo dor e sofrimento. O adultério nunca compensa”.


E quando a pessoa vem para a Igreja separada do primeiro parceiro e amasiada com outro? O que fazer?

Muitos, ao se converterem, encontram-se em situações de grande embaraço. Muitas vezes, o casal recém convertido, vem de relações onde houve o divórcio e já convivem juntos a muito tempo. O que fazer? Voltar cada um com seu antigo cônjuge? Separar-se do segundo para, quem sabe, ajuntar-se novamente com o primeiro? E quando há filhos no segundo casamento? Antes de responder essas questões vamos à Bíblia: “Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido e vem cá. Respondeu a mulher: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; porque cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade” (Jo.4:16-18).

Acredito que as palavras de Jesus esclareceram a questão. O fato descrito acima é do encontro de Jesus com a mulher samaritana. Nesta oportunidade, o Senhor abre um dialogo e introduz a palavra de salvação. Quando percebe que a mulher está respondendo bem à mensagem, Ele pede para que o seu marido seja chamado e venha participar da conversa. A mulher, envergonhada e um tanto chateada, faz a alegação – “não tenho marido”. Nesse momento o Senhor argumenta que isso era verdade, pois ela havia tido cinco marido e o atual não era o dela. O Senhor não a desprezou por isso e nem lhe disse para voltar ao primeiro marido, mas o texto, mostra-nos a intenção do Senhor em abençoar o seu último casamento. Existem casos que é melhor abençoar a relação atual e esquecer o passado. A Bíblia diz que: “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (IICor.5:17). Sabemos que cada caso é um caso e tem que ser analisado no prisma da misericórdia de Deus(Mt.9:13). Conheço pessoas que erraram e se arrependeram, mas quando procuraram a igreja não receberam auxílio e conforto espiritual. Há casos que não tem mais jeito, pois a primeira relação já está morta. Quando há a separação e o segundo casamento já foi consumado e até há filhos, entendo que o melhor é deixar como está. São tantos os fatores que o espaço aqui não nos permite ser mais abrangentes. Entretanto, citarei um caso como exemplo. A pessoa largou a primeira esposa, com qual tinha dois filhos, e contraiu novo relacionamento, do qual nasceu mais dois filhos. Um dia desses, esse homem, com a sua segunda mulher resolvem ir a uma igreja e ali se converterem. O que aconselharíamos a ele? Voltar com a primeira mulher, a qual talvez nem mais o quer, deixando a segunda com dois filhos pequenos ou aconselharíamos a manter o segundo casamento? Acredito que a segunda hipótese é a mais lógica, pois o próprio Paulo disse: “Cada um fique no estado em que foi chamado” (ICor.7:20). Neste texto Paulo se referia a relação conjugal e com certeza poderíamos aplicá-lo no caso citado. O segundo casamento precisa mais de união do que o primeiro. É claro que, quando podemos restaurar o que foi destruído, não hesitamos em fazê-lo. Agora, destruir para tentar construir, isso nunca.

CONCLUINDO

Devemos sempre estar orando e intercedendo pelas nossas vidas conjugais. O diabo, desde que o mundo começou, tem tentado contra a família e a sua homogeneidade. Sabemos, contudo que: “maior é o que está em nós e já somos mais que vencedores em Cristo Jesus”. Desejo e oro para que os casamentos sejam mantidos de acordo com o propósito de Deus e nunca se acabem. Que seu casamento seja uma grande benção por toda a sua vida. Deixo este salmo para sua meditação:

“»SALMOS [128] – Bem-aventurado todo aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher(ou o seu marido) será como a videira frutífera, no interior da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira, ao redor da tua mesa. Eis que assim será abençoado o homem(ou a mulher) que teme ao Senhor. De Sião o Senhor te abençoará; verás a prosperidade de Jerusalém por todos os dias da tua vida, e verás os filhos de teus filhos. A paz seja sobre Israel (e sobre o Brasil)”. 

Prof. João Flávio Martinez

É fundador do CACP, graduado em história e professor de religiões. 

A Verdade x Tradição dos Homens

A verdade revelada

Autoria desconhecida – Texto modificado e adaptado

A ação do Espírito Santo quer trazer a todos os homens a revelação da Igreja de Jesus. Por séculos o homem foi tentando desviar a igreja da verdade, ao ponto de muitos entendê-la como um local de reuniões e não como um organismo vivo (corpo de Cristo). No conceito de muitos, a igreja foi transformada em uma instituição, sendo impregnadas de ritualismos vazios e filosofias humanas. Existe um grande contraste entre tradição (conceitos abraçados pelos homens, que são subtrações e distorções da verdade) e a verdade revelada que é pura e simples.

Ao longo dos séculos, o Senhor sempre manteve viva sua revelação. É constrangedor conhecermos a história de homens e mulheres, que viveram plenamente um amor profundo a Deus e a sua Palavra. Não somente no passado, mas nos nossos dias, a exemplo dos irmãos na China, Coréia do Norte, Índia e outros países que perseguem cruelmente aqueles que querem viver piamente em Cristo. Mas, vivemos em tempos de apostasia, por isso é importante que todos parem por um momento suas frenéticas atividades religiosas e procurem ver do ponto de vista de Deus.

Vamos tratar de alguns aspectos importantes.

PRIMEIRA PARTE: O EVANGELHO

1. A TRADIÇÃO

Pregação de todas as promessas e bênçãos sem o preço (evangelho das ofertas). O homem e sua felicidade é o centro da mensagem. O homem faz uma troca com Deus: aceita-o (?) como salvador, vai a “igreja”, deixa de fazer algumas coisas e recebe como prêmio o céu. Este comportamento leva o homem a concluir que:

§         O Reino de Deus é no céu

§         O Reino é no futuro (volta de Jesus)

§         A consagração total é um passo opcional

§         A salvação é essencialmente um passaporte para o céu

§         O homem é o centro de tudo

A ordem divina não é para o homem “aceitar” Jesus, uma expressão inexistente na Bíblia, mas de converter-se a Ele, arrepender-se de seus pecados e nascer de novo.Esta experiência não melhora o homem, mas mata-o e o faz ressurgir para uma nova vida, onde sua vaidade, orgulho, soberba, arrogância, materialismo, mente secularizada, rebeldia, ambição, busca do prazer, malícia, impureza, vício e coisas semelhantes vão ser extirpadas pela morte do velho homem e os atributos divinos vão ser implantados pelo surgimento do novo homem.

“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado.”

(Rm 6:4-6)

“PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.”

(Rm. 8: 1-2)

2. O EVANGELHO

Existem promessas, mas existem condições. As promessas não visam o bem estar material do homem, mas a implantação do Reino (governo) de Deus na vida do homem.

“Pelas quais Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção…” (II Ped. 1:4)

Crer sem obedecer é ter uma fé morta, inoperante. “Vinde a mim” não tem valor sem “tomai meu jugo.”

“Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz e siga-me”.

(Mc 8:34)

“… desde então é anunciado o reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele.”

(Lc 16:16)

“Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo.”

(Lc 14:33)

“Aquele que diz está nele, também deve andar como Ele andou.”

(I Jo. 2:6)

O Reino de Deus é o governo de Deus na vida do homem. O homem deixa de ser independente para ser dependente de Deus.

Em sua atitude perante o evangelho, podemos classificar os homens em três grupos bem distintos:

ü      O INCRÉDULO

Não quer dizer necessariamente ateu. É alguém que não tem interesse em Deus. Qual é seu problema? É que governa sua vida. Controla todas as áreas de sua vida conforme sua própria vontade e para seu próprio prazer. Tem o “Eu” no centro da sua vida, e a partir disto, decide seus demais interesses (trabalho, lazer, família, etc.).

“Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles.” (Ef. 4:18)

ü      O RELIGIOSO

É diferente do incrédulo. Acredita em Deus, cogita Dele, pratica atos religiosos, freqüenta reuniões, chama Jesus de Senhor. Mas qual é o seu problema? O mesmo do incrédulo. Tem o Eu no centro. Vive para si mesmo (embora cante que vive para o Mestre). Deus existe para salvá-lo e abençoa-lo. É um quebra-galho, é apenas uma das suas cogitações. Este está pior que o incrédulo, porque está se enganando.

Negar-se a si mesmo (Mc 8:34) não é negar apenas alguns pecados. É tomar a cruz (Mc 8:34). Mas que é tomar a cruz? É perder a vida (Mc 8:35). Como ocorre isto? Devo morrer literalmente? Não. Esta é uma realidade espiritual, é o próprio arrependimento. Até hoje, a vida era minha, eu era meu dono. Mas agora eu perco, para me submeter ao Senhorio de Cristo. Mas para isto eu devo estar disposto a perder a vida, pois o arrependimento implica renuncia a tudo (Lc14: 33).

O Religioso, tal como o incrédulo, tem o Eu no centro de sua vida, a diferença é que entre suas cogitações está Deus, além de trabalho, lazer etc.

ü      O DISCÍPULO OU SEGUIDOR DE JESUS

Experimentou aquilo que Jesus chamou de novo nascimento (João 3). Toda sua vida é estruturada em função da vontade de Deus. Ele é governado por Deus. Este experimentou um verdadeiro arrependimento. Ele não abandona alguns pecados, mas corta a raiz da árvore que é a independência. Se deixarmos de praticar algumas coisas sem romper com sua fonte, o máximo que conseguimos é frustração. O religioso poda galhos da árvore (pecados), mas não extirpa o problema fundamental do homem: independência (a raiz da árvore). Paulo verificou uma realidade do homem, descobrindo três leis:

                             I.      A Lei do pecado e da morte

Nasce conosco, pois nascemos de carne e herdamos a independência. Enquanto não passarmos por uma real experiência de arrependimento, vamos ser obrigados a pecar, mesmo que não queiramos. O arrependimento não é remorso, é mudança de atitude, ou seja, o homem perde sua independência e torna-se dependente de Deus.

Em Romanos 7, Paulo expõe com clareza a realidade do homem natural, é governado por uma lei que está em seus membros, a lei do pecado e da morte.

                         II.      Lei das ordenanças

A religião impõe ao homem várias regras de comportamento (Col 2: 20-23), tentando implantar algo novo no homem, porém a Palavra afirma que a lei não aperfeiçoou coisa alguma (Rom 7:13). Deus não nos chama para sermos simples praticantes de seus princípios, mas para morrermos para nós mesmos (Rom 6) para que Jesus viva em nós a sua glória (Col 1:27, Rom 8:14).

                     III.      Lei do Espírito de Vida em Cristo

Opera a salvação, que á a libertação total do velho homem, com todos seus desejos (Rom 6 a 8). Sendo liberto do pecado, o discípulo tem como alvo imitar a Deus (Ef. 5:1) e de se tornar participante da natureza de Deus (II Ped 1:4 ,Jo 3:9). Ser nascido de Deus é receber a sua semente (Sêmen) que é enxertado em nossos corações brotando frutos dignos de arrependimento (I Jo 3:5, Lc 3:8-14, Mt 7:16-29).

Muitos tentam transformar a graça de Deus em desgraça. A graça é pregada, muitas vezes, como absolvição imediata do pecado ou consentimento de Deus para não praticarmos tudo que Jesus viveu. A graça, no entanto, é o poder de Deus derramado em nossas vidas, nos capacitando a viver governados por sua vontade, tendo condições de renunciar este mundo (Gl 5:16).

Gostamos de nos apossar de alguns trechos da Palavra, porém não atentamos diligentemente para viver a vontade de Deus, dispostos a padecer para praticar toda justiça (II Tim 3:12).

“Mas se, fazendo o bem, sois afligidos, e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais suas pisadas” (I Ped. 2:20-21).

Em resumo, o Reino de Deus é o fim da independência do homem. Deus quer assumir o governo da vida de cada pessoa. O arrependimento é mudança de atitude interior, isto é, deixamos à independência e passamos a ser dependentes de Deus. Da atitude de rebelião (faço o que quero) para uma atitude de submissão (pertenço a Deus para fazer o que lhe apraz). Quando mudamos nossa atitude para com Deus, mudamos nossos atos. Quando mudamos só os atos e não a atitude, estamos em rebelião e tudo que conseguimos é viver uma vida cheia de contradições e hipocrisias, sem que o evangelho possa fazer alguma diferença concreta, apenas disposições passageiras e pactos finitos. Tozer dizia: Não há nada mais trágico que alguém passar uma vida toda freqüentando um local de reuniões religiosas, e no fim da vida não poder usufruir da presença graciosa de Jesus.

“Pelo que não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.”

(Ef. 5:17)

SEGUNDA PARTE: EVANGELHO X TRADIÇÃO

A TRADIÇÃO
A REVELAÇÃO

1. BATISMOÈ Não passa de um símbolo. Não é necessário para a salvação, nem para perdão de pecados. É um passo de obediência, um testemunho público de fé.

1. BATISMOÈ É realidade na nossa vida. É ato pelo qual, pela fé, somos colocados em Cristo Jesus. Nesse momento opera-se a salvação e o perdão dos pecados (At. 2:38; Mc. 16:16; Cl. 2:12, 13). O batismo deixa de ser um mero símbolo para se tornar um ato através do qual o discípulo é enxertado no corpo de Cristo, passando a fazer parte da família de Deus.

2. CONFISSÃO DE PECADOSÈ Deve-se confessar os pecados a Deus.

2. CONFISSÃO DE PECADOS Èé o “andar na luz” (I Jo. 1:7-9). Há mandamento específico para se confessar os pecados uns aos outros (Tg. 5:16). Era prática dos discípulos (Mt. 3:6; At. 19:4, 18).

3. DONS ESPIRITUAIS È O grupo tradicional vê os dons e carismas sobrenaturais como coisa do passado, entendendo que terminaram no tempo dos apóstolos. Já o grupo pentecostal aceita a manifestação dos dons nos dias de hoje, todavia têm conceitos místicos sobre o assunto, de modo que supervalorizam as pessoas que manifestam dons e as tratam com privilégios, como se fossem “mais espirituais”, chegando até a substituir as autoridades delegadas na Igreja pelos que manifestam determinados dons. Além disso, substituem a própria palavra de Deus pelo dom, como p.ex., a profecia.

3. DONS ESPIRITUAIS È Os dons são complementos da Palavra. A Palavra de Deus (Bíblia) é absoluta e inquestionável. Daí, os dons devem ser julgados (I Co. 14:29; I Tess. 5:20-21). A manifestação de dons não é indicativo de santidade. Pode-se ter muitos dons e ser carnal (Mt. 7:21, 22; I Co. 3:1; 13:1-13). Deus não governa através da manifestação de dons, mas sim pelos ministérios e autoridades delegadas (I Co. 12:28). Jesus não usava os dons como atrativo. Ele pedia que não contassem a ninguém quando realizava algum milagre.

4. CEIA DO SENHOR ÈO pão e o vinho são meros símbolos recordatórios da morte do Senhor (esta postura foi uma reação contra a posição católica). Não se vê a ceia como algo sobrenatural, momento de comunhão da família de Deus, onde o corpo de Cristo é partilhado com todos.

4. CEIA DO SENHOR ÈO sinal exterior (pão e vinho) quando recebidos pela fé tornam-se realidades em nossas vidas (Jo. 6:53-57). É momento de comunhão dos filhos de Deus. É momento íntimo e privativo da família do Pai. Por isso não se deve participar da ceia quem não é filho, podendo advir sobre o tal conseqüências até físicas (I Co. 11:30).

5. DOUTRINA ÈSão conceitos sobre Deus, Jesus, Espírito Santo, Bíblia. São elaborados de acordo com a interpretação dos homens, por isso existem várias “doutrinas” sobre mesmos assuntos.

5. DOUTRINA ÈSão orientações práticas para a vida diária de um discípulo, extraídas não da visão de homens, mas da revelação pura da Palavra. São preceitos para serem cumpridos incondicionalmente (Tt. 2:1; Mt. 7:28-29).

TERCEIRA PARTE: TRADIÇÃO X REVELAÇÃO

A TRADIÇÃO
A REVELAÇÃO
1. IGREJA è é a denominação sectária e o local de reuniões: – “Minha igreja” “Vou à igreja”.
2. IGREJA è é o corpo vivo de Cristo – é uma só. A igreja da localidade é formada por todos aqueles que são submissos ao Senhor. (Ef. 1:22, 23; 5:25-27)
2. MINISTÉRIO è é o serviço de alguns especialistas muito bem preparados em seminários.
2. MINISTÉRIO è todos os santos são sacerdotes. Todos têm um ministério. (I Pd. 2:9; Ef. 4:12)
3. PASTOREIO è Pastor solitário e um “faz tudo.”
3 PASTOREIO è um corpo de presbíteros (At 20:17; Tt 1.5; At 13:1).
4. EDIFICAÇÃO è em grandes reuniões e em “templos”, pulpitocentrismo, sermões elaborados, reunionismo.
4. EDIFICAÇÃO è nas casas (Rm 16:10-11; 14:15; At. 2O: 20; I Cor 16:15-19; Fp 4:22; Cl 4:15). Nos relacionamentos de corpo (Ef 4.15-16; Cl 2:19).
5. UNIDADE è mística, invisível e universal.
5. UNIDADE è prática, visível e na localidade (Jo 17).

Todos os bons movimentos de renovação originaram de uma volta a um ponto comum: a igreja primitivaos ensinos de Cristo e dos Apóstolos.

O problema se origina quando um desses movimentos, depois de uma trajetória, não segue buscando a origem do cristianismo para sua orientação futura, mas sim a sua origem particular. A maioria fica mais fiel às idéias dos fundadores do que a Palavra.

Para não cair no sectarismo, devemos recorrer permanentemente à nossa origem: Cristo e os Apóstolos. Não devemos ser fiéis à restauração, mas ao SENHOR JESUS.

QUARTA PARTE: ANDAR NA LUZ

“Vós sois a luz do mundo…” (Mt. 5:14, 16). “Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo.” (Fp. 2:15).

A igreja tem sido ludibriada num ponto vital: o fato de ser corpo, onde um depende do outro. Satanás tem subtraído isto da igreja! Substituiu o fato e a verdade de quesomos membros uns dos outros, pelo sofisma de que cada um é um salvo (eu sou, tu és, ele é, somos salvos), e como salvos que somos, como bons cristãos que somos, devemos amar, buscar e servir uns aos outros. Mas isto não é verdade? Sim, é verdade! E qual é o sofisma então? É que aquilo que é uma verdade imutável e fruto da condição inalterável da igreja ser corpo, passa a ser um dever cristão que podemos cumprir em maior ou menor escala.

Isso trás reflexos diretos e decisivos sobre a minha postura perante a igreja. Porque se creio que apenas sou mais um salvo, minha vida diz respeito só a Deus, meus pecados e erros ferem só a Deus, e minha confissão deve ser feita só a Deus.

Se, porém, eu entendo que fui batizado, enxertado em um corpo (I Co. 12:12, 13, 26,27), eu vou saber que a minha vida diz respeito à igreja que é o corpo de Cristo. Os meus pecados desonram a igreja e a minha confissão deve ser feita diretamente à igreja (I Co. 10:16, 17; 11:29).

Eu não estou só! Eu sou corpo! (I Co. 12:14; Rm. 12:5). A vida que tenho em Cristo é a vida da igreja, o Espírito que habita em mim é o Espírito que está na igreja. “Pois, em um só Espírito todos nós fomos batizados em um corpo… E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” (I Co. 12:13). Eu sou enxertado no corpo de Cristo e posso beber do Espírito Santo. Aleluia! O Espírito Santo na igreja é como o sangue no corpo humano: leva a mesma vida a todos os membros, está em todos os membros, mas não é propriedade particular de nenhum deles. Está no corpo. Se algum membro é desligado do corpo, morre e apodrece, porque perde a vida da qual era participante enquanto corpo. O corpo, contudo, continua vivo (Ef. 4:30; I Tess. 5:19; Hb. 6:4-6). É assim na vida natural como na espiritual.

Somos corpo (I Co. 12:27) e não temos como nos ocultar dele. “Para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam.” (I Co. 12:25-26). Assim, se estamos bem, o corpo sabe, se estamos mal, o corpo também sabe.

Isto pode parecer muito abstrato. Como acontece na prática? O entendimento de que sou corpo e que dependo do mesmo, impede-me, proíbe-me de ocultar-me dele. A minha consciência me leva a andar na luz, no temor do senhor.

Vejamos, então, o que diz a Palavra sobre a necessidade de nos fazer conhecidos à igreja, ou seja, andar na luz.

1. Andar na Luz:

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo pecado.”

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça.” (I Jo. 1:5-9).

“E não sejais cúmplices nas obras infrutuosas das trevas, antes, porém, reprovais. Porque o que eles fazem em oculto o só referir é vergonha. Mas todas as coisas quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz.” (Ef. 5:8-14).

“Pois todo aquele que pratica o mal, aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.” (Jo. 3:19-21).

Os textos falam sobre confessar, revelar o que está oculto, escondido nas sombras, ou seja, manifestar. Andar na luz, portanto, é tornar-se manifesto, conhecido, mostrar-se tal como é, sem capa nem máscara. Não é algo místico, subjetivo e sem expressão prática do tipo “estou na bênção”, “estou na graça”. Não. Andar na luz, envolve decisão e confissão: exposição voluntária. É permitir que saibam o que eu fui e o que sou. O que fiz e o que faço. Não ter nada escondido na minha vida. No momento que ando na luz, a luz revela quem sou. Se estou em trevas, não sabem quem sou e como estou, nem eu conheço a mim mesmo.

Jesus nada disse em oculto (Jo. 18:20). Se somos discípulos de Cristo, temos que ser iguais a Ele (I Jo. 2:6). Todo verdadeiro discípulo de Jesus tem que ser capaz de dizer tudo o que tenha feito e dito na vida, para se tornar conhecido. “Quem procura esconder seus pecados será sempre um fracasso. Quem confessa e deixa, será perdoado.” (Pv. 28:13, v. II Tm. 3:7).

Duas perguntas são necessárias: 1) de quem esconder? 2) A quem confessar? A resposta traduz a prática da grande maioria dos cristãos: esconde de Deus, confessa a Deus. Será que Deus precisa realmente que lhe revelemos alguma coisa? Será que existe alguma coisa que Ele não sabe? Vejamos:

Jr. 16:17

Ninguém se esconde de Deus.

Sl. 90:8

Os pecados ocultos sob os olhos de Deus.

Pv. 15:11

Os corações descobertos aos olhos de Deus.

Jr. 17:9-10

Deus prova os corações e os pensamentos.

Sl. 44:21

Deus conhece os segredos dos corações.

Sl. 139:1-12,23

Deus perscruta todo o homem.

Dn. 2:22

Deus revela o escondido.

Hb. 4:13

Tudo está patente aos seus olhos.

Pv. 20:27

O espírito do homem é a lâmpada do Senhor a qual esquadrinha todo o mais íntimo coração.

Is. 29:15-16

Ai dos que se escondem do Senhor.

I Co. 4:5

Ele julgará os desejos do coração.

Mc. 4:22

Tudo será revelado.

Rm. 2:16

Os segredos do homem serão julgados.

Pv. 28:13

De quem encobre? A quem confessa?

Deus não precisa de que lhe confessemos (revelemos, manifestemos) nada. O que ele exige é um coração arrependido e um espírito quebrantado, ou seja,arrependimento. (Jr. 13:22; Os. 5:14-15; 6:1-3).

Foi isto o que aconteceu no Édem: Deus viu e sofreu com a desobediência do homem. Mas o homem precisava manifestar-se voluntariamente, por isso as perguntas: Onde estás? — Deus não estava vendo? — Quem te fez saber? — Deus não sabia?

Sim, Deus testemunhou tudo, mas com isto Ele introduzia um princípio de cura para o coração culpado (Gn. 3:8-11; Pv. 21:8). O sentimento de culpa esmaga a consciência e transtorna o caminho do homem (II Co. 2:5-11; Lc. 22:61-61). A isto se chama de má consciência. Os que insistirem nisso, agindo contra a própria consciência e mantendo-se em oculto, tornam-se hipócritas e terminam naufragando na fé (I Tm. 1:5, 19; 3:9; Hb. 12:16-17), além de sofrer o juízo de Deus (Hb. 10:22, 26-31).

É impossível escapar das conseqüências do pecado (Gl. 6:7-8). Se os confessamos, obtemos perdão e graça. Ainda que soframos as conseqüências, escapamos da condenação (II Sm. 12:12-14; Pv. 28:13). Se os encobrimos, levaremos uma vida de tormento e por fim seremos alcançados pelas conseqüências. Confira: “o vosso pecado vos há de achar”. (Num. 32:23) com “… achou Deus a nossa iniqüidade.” (Gn. 44:16; 42:21-22).

Fica claro que não é a Deus, mas aos homens que temos que manifestar nossa vida (II Co. 1:12; 4:2; 8:21) e confessar nossos pecados (I Jo. 1:7) para mantermos comunhão e recebermos a purificação pelo sangue de Jesus. Se mostro minha sujeira, sou purificado. Se a escondo, permaneço imundo. Sempre que há pecado, há abertura para Satanás naquela vida. Tudo aquilo que permanecer em trevas será domínio do diabo (I Jo. 1:5-6,8).

Na prática, as religiões “cristãs” conseguiram confundir este ensino, de modo que os protestantes não o praticam para contrariar os católicos. Ora, a igreja não é protestante, nem católica, nem isto ou aquilo, como também Deus não é protestante, nem a igreja começou com Lutero. O propósito de Deus de convergir tudo para Jesus, formando a partir Dele uma família (igreja, que é seu corpo) é de antes da fundação do mundo e não pode se moldar a interpretações humanas. Deus é absoluto, seus princípios são absolutos, doam a quem doer. Outra questão levantada é que os homens não merecem confiança. E muitos chegam até a usar a Bíblia, Jr. 17:5, para apoiar sua desculpa em não confessar. Ora, este texto de Jeremias se refere à confiança em si próprio, denotando auto-suficiência, soberba, independência do Senhor, como também substituição da confiança no Senhor, pela confiança em homens, sistemas, organizações. O discípulo tem que se relacionar com os irmãos em uma disposição de confiança e segurança (Rm12: 10). Sem confiança não há comunhão. E se alguém trai esta confiança, o prejuízo não é de quem confia, mas do traidor. Veja o que ocorreu com Jesus e Judas, como também José e seus irmãos. O motivo real de não cumprir a palavra de Deus no que se refere à confissão é um só: preservação da imagem (Jó 31:33-34).

A confissão gera cura (Tg. 5:16), refrigério para a alma. Através da confissão, mantemos a comunhão no corpo e recebemos o perdão de Deus. É bem provável que não escapemos das conseqüências, mas por certo nos livramos da condenação do pecado. Certa feita algumas irmãs chegaram para determinado presbítero apavoradas, pois o que tinham a confessar para os seus esposos poderia causar dano sério em suas vidas, pelo que temiam a confissão, ao que o presbítero lhes respondeu: “se os seus maridos lhes causarem grande mal ao ouvirem a confissão, não é pela confissão (que gera cura), mas pelo pecado (que gera morte).”.

2. Qual a prática bíblica?

Velho Testamento

Nm. 5:7; Lv. 6:2-4

Confissão e restituição

Js. 7:19-20

Deus revelou o culpado, mas exigiu confissão

Jó 33:27

Mostra um costume da antigüidade

Novo Testamento

Lc. 19:1-10 e At. 19:18-19

Confissão por novos convertidos

Mt. 18:15-18 e Tg. 5:16

A prática da Igreja

I Tm. 5:19-21

Os líderes

Só a confissão com arrependimento pode produzir cura e perdão. Quando ocultamos nossos pecados, buscamos justiça própria (há até quem faça penitência: jejua, ora, faz vigília). Deus rejeita (Is. 64:6; 43:24-26). Nossa justiça é Cristo (I Co. 1:30-31; I Jo. 1:7-9; Rm. 10:4; 5:8-11; II Co. 5:21; Is. 53:5-6). Aleluia!

A igreja é o corpo de Cristo e ele nada faz fora dela

(Ef. 1:22-23).

Faz de Mim Um Homem Segundo o Teu Coração!


No dia 8 de novembro de 1927, quando estava completando 38 anos de idade, fiz esta oração: “Senhor, faze de mim um homem segundo o teu coração”. O interesse no trabalho começou a desvanecer-se; coisas que antes pareciam importantes sumiram do horizonte; os assuntos e objetivos nos quais eu estava mais interessado tomaram um lugar secundário, enquanto minha vida interior diante de Deus passou à frente. De repente, era tudo o que importava para mim, o que realmente valia a pena. Enquanto andava para lá e para cá no meu quarto, aquele dia, eu orei, e orei com insistência no Espírito: “Senhor, faze de mim um homem segundo o teu coração”.

Vi, como nunca antes, que o importante não era o trabalho que estava realizando, os livros que estava escrevendo, os sermões que estava pregando, as multidões que conseguia atrair nem o sucesso que estava conquistando; o que realmente importava era a vida que eu estava vivendo, os pensamentos do meu coração, a santidade interior, a prática da justiça – em suma: a transformação da minha vida, pelo Espírito Santo, à semelhança de Cristo.

Fui impactado ali, de maneira nova e mais profunda, com o significado das palavras: “Oh, como anseio por uma intimidade maior com Deus!” Meu coração foi tomado por um clamor angustiado por tal experiência. “Andou Enoque com Deus”(Gn 5.24). Eu não poderia, também? Não sou mais precioso para Deus do que o meu trabalho ou minhas possessões? Deus queria a mim, não apenas o meu serviço.

Depois disso, ele me levou a orar, a pedir que ele fizesse de mim um homem segundo o seu coração. Nessa oração, fiz as seguintes petições: “Senhor, eis aqui minhas mãos; eu as consagro a ti. Que nunca toquem em coisa alguma que desonre a ti. Que nunca entrem em ambientes em que tu não te sintas confortável”.

“Senhor, eis aqui os meus olhos; que jamais olhem para algo que entristeça o Espírito Santo. Que meus ouvidos jamais atentem para alguma palavra que desonre o teu Nome. Que minha boca nunca seja aberta para falar qualquer palavra que tu não queiras ouvir. Que minha mente não retenha um pensamento ou ideia que ofusque o senso da tua presença.”

                                          Colocando Deus em primeiro lugar

Vi, naquele instante, que Deus exige toda a minha atenção, sem concorrência alguma. Todas as outras coisas devem ficar em segundo lugar. Amigos e entes queridos, casa, dinheiro, trabalho, tudo – mesmo sendo coisas legítimas – deve dar lugar a Cristo! Dia e noite, minha atenção deve ser direcionada somente a ele. Deus em primeiro lugar! Assim deve ser minha atitude em relação a ele. Só então, ele será capaz de me abençoar e usar.

Percebi que, no meu relacionamento com Deus, não posso permitir que coisa alguma surja entre nós. Assim como um marido está em primeiro lugar no afeto de sua esposa, e vice-versa, da mesma forma, Deus deve ocupar o primeiro lugar no meu coração. E exatamente como um casamento nunca será feliz se cada um não dedicar sua atenção integral, sem concorrência, ao outro, minha comunhão com Deus também só pode ser completa quando minha atenção for dedicada exclusivamente para ele.

O que ele pediu de mim aquele dia, ele pede de todos sem distinção. Será possível que vamos negar-lhe aquilo que é seu por direito? Existe alguma coisa, neste mundo, que mereça a atenção reivindicada por ele? Por que, então, insistimos em reter o que ele deseja? Existe alguma alegria genuína a ser encontrada fora de Deus? Podemos nos satisfazer com meras “coisas”?

Objetos, coisas materiais, possessões podem trazer alegria? “A vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui” (Lc 12.15).

Deus nos criou para si mesmo!

Ele anseia por nossa amizade e comunhão. Andar com ele momento a momento, aqui mesmo, no meio de uma geração má e adúltera, em um mundo que não dá valor algum a uma vida separada, governada pelo Espírito Santo, em um mundo cujo deus é Satanás; viver como peregrinos e estrangeiros neste mundo que crucificou nosso Senhor – esse é seu desígnio e propósito para nós.

Ser um homem segundo o coração de Deus, portanto, significa colocá-lo em primeiro lugar; andar com ele em todos os momentos; não fazer nada para desagradá-lo e não tolerar a permanência de qualquer coisa que possa entristecê-lo; viver uma vida de justiça e santidade diária diante dele; dar-lhe nossa atenção integral, sem concorrência, e amá-lo acima de todas as coisas!

Para receber o melhor de Deus, devemos dar a ele o nosso melhor. Para nos tornarmos homens e mulheres segundo o seu coração, devemos entregar-lhe toda a nossa atenção e nosso afeto. Para ganhar, precisamos nos render. Para viver, precisamos morrer! Para receber, é preciso dar!

Que alegria é ter uma vida como essa! Não há nada que possa se comparar. Todo o sucesso do mundo não serve como compensação. Amigos nunca terão tamanho significado para nós. Mesmo os parentes mais íntimos podem nos decepcionar. O dinheiro traz um peso de perigo e responsabilidade, assim como a fama gera ilusão e amargura. Mas Deus, ele satisfaz de verdade! Jesus nunca desaponta nem decepciona. Andar com ele é a experiência mais doce na Terra. Saber que tudo está bem, que não existe problema nem obstáculo algum entre nós, que nenhuma nuvem negra de pecado esconde seu rosto de nós – ah, esse é o Céu, de verdade!

Vamos, então, fazer esta oração, com profunda e verdadeira convicção, expressando-a com nossa vida: “Senhor, faze de mim um homem [mulher] segundo o teu coração!”

por Oswald J. Smith

Colaboração:  “O Arauto de sua Vinda”

A DOUTRINA DO PECADO

 

Por: Pr. João Marcos

Sua influência na Criação
Rm 5.12

I. INTRODUÇÃO

As Escrituras põe em relevo dois grandes princípios ou qualidades morais antagônicas: a Santidade de Deus (bem) versus o pecado (mal), recebendo dela ampla e adequada atenção.

II. A DOUTRINA DO PECADO

HAMARTIOLOGIA

1. O Pecado

1.1. Definição

a) Pecado é deixar de se conformar à lei moral de Deus, seja em ato, seja em atitude, seja em natureza;
b) O pecado é aqui definido em relação a Deus e sua lei moral. Inclui não só atos individuais, como roubar, mentir ou cometer homicídio, mas também atitudes contrárias àquilo que Deus exige de nós.

1.2. Sua Origem

a) De onde veio o pecado? Como ele penetrou no universo?
b) Deus não pecou e não deve ser culpado pelo pecado (Dt 32.4; Gn 18.25; Jó 34.10; Tg 1.13; 1Pe 1.16;1Jo 1.5);
c) Tampouco foi do homem – Criado “à sua imagem; à imagem de Deus o criou” (Gn 1.27,31; Ec 7.29);
d) Quando Adão e Eva foram criados, o mal já existia no universo.
e) A origem do pecado foi Lúcifer, o Diabo (Jo 8.44; 1 Jo 3.8; Ez 28.14; Is 14.13,14)
– rebelou-se contra Deus (Ez 28.15,16; Lc 10.18)
– Desde então, o diabo tornou-se o adversário de Deus (Is 14.13; Mt 12.24)
f) Por que Deus permitiu que Lúcifer caísse?
– possuía o livre arbítrio, coisa que sempre Deus considera
– abusou dessa extrema liberdade, e sofreu as conseqüências, tornando-se opositor de Deus.
g) Assim, o homem pecou, os anjos pecaram, e nos dois casos o fizeram por escolha intencional e voluntária;

1.3. A arma que o inimigo usa é a tentação

a) No Édem (Gn 3.1-24)
b) O verdadeiro amor a Deus se manifesta na obediência à sua palavra (Jo 14.15,23; 15.14);
c) O próprio Filho de Deus foi tentado (Lc 4.1-13; Hb 4.15; 5.8)

2. Seu Significado e Realidade

2.1. Realidade

a) Um fato da revelação (Rm 3.23; 5.12; Gl 3.22; Ec 7.20)

b) Um fato da observação
– manifesto em toda a parte;
– revela-se sutilmente ou de forma hedionda
c) Um fato da experiência humana (Is 6.5; 1Tm 1.15; Js 7.20; Jr 17.1; Lc 5.8; Jó 40.4)
– a consciência testifica inequivocamente da realidade do pecado;
– todos sabem que são pecadores;
– senso de culpa, remorso da consciência, por causa do mal praticado;
– a Escritura declara, a observação descobre e a experiência humana comprova o fato do pecado

2.2. Negativamente considerado

a) Não é um acontecimento fortuito ou devido ao acaso, que não envolva culpa por parte dos pecadores
– não é um acidente (Rm 5.12)
– resultou de um ato de desobediência responsável por parte de Adão
b) Não é mera debilidade da criatura, pela qual o homem não deve ser responsabilizado ou tido por culpado
– não se trata apenas de debilidade ou fraqueza (Jr 17.9)
c) Não é mera ausência do bem, nem falta de retidão positiva
– não é simples negação (Rm 7.14)
– que o mal e a ausência do bem, e que o pecado é a ausência da retidão;
– existem formas de pecados extremamente agressivas e malignas;
– a Bíblia ensina que o pecado e o mal têm existência positiva, e que são ofensa contra Deus;
d) Não é um bem da infância
– não é um passo para trás (1Jo 3.4)
– não é imaturidade, falta de desenvolvimento ou advindo de características primitivas;

2.3. Positivamente Considerado

– brecha ou rompimento de relações entre o pecador e o Deus pessoal;
– manifesta-se de muitos modos;
– Jesus demonstrou o modelo de vida ideal; relatou que a fonte do pecado surge no intento íntimo do homem; “um simples pensar”, avançou o campo da culpa;
a) É o não desobrigar-se dos deveres para com Deus
– estar destituído da glória de Deus (Rm 3.23), incapaz de atingir o padrão divino (Rm 8.3,4)
– omissão do dever (Tg 4.17), a inércia é pecar; saber o que deve ser feito e não agir;
– declínio espiritual (Jr 14.7), quando a alma se distancia de Deus (Is 59.1,2)
b) É a atitude errada para com a Pessoa de Deus
– os desígnios insensatos (Pv 24.9), que desonram e depreciam o Ser de Deus
– a prática do orgulho e da arrogância (Pv 21.4), auto-exaltação;
– murmuração contra Deus (Nm 21.7; Lv 24.15,16; 1Co 10.10,11; Jd 16), expressa insatisfação com a providência divina;
– blasfêmia contra o Espírito Santo (Mc 3.29), significa detração ou calúnia, forma agrava do pecado
c) É a ação errônea em relação à Vontade de Deus
– condescendência duvidosa (Rm 14.19-23; 1Jo 3.18-22), transigência, na dúvida desagrada a Deus;
– rebeldia e obstinação (1Sm 15.23), vontade forte de seguir no erro;
– desobediência (Jr 3.25), desafio aberto e insubordinação contra Deus
– a transgressão da Lei (1Jo 3.4), ultrapassar a linha divisória, transpor as regras bíblicas;
d) É a ação errônea em relação aos homens
– favoritismo (Tg 2.1-4,9), acepção de pessoas em nossas relações;
– toda injustiça (1Jo 5.17), pecar contra nossos semelhantes é o mesmo que pecar contra Deus;
– desprezo ao semelhante (Pv 14.21), desobediência ao mandamento divino e incoerência com a vida sintonizada com Deus;
e) É a tendência natural para o erro (Rm 7.15-17; 8.7;1Jo 1.8; Jr 13.23)
– inclinação para a desobediência e a iniqüidade
– pecar é contrariar a vontade de Deus;

3. Sua Extensão
3.1. Influência na Criação

– o pecado afeta o céu, a terra e seus habitantes
a) Os céus (Ef 6.11,12; Is 14.12-15; Jó 1.6; Zc 3.1; Lc 10.18; Ap 12.7-9)
– o pecado e a queda de Satanás afetaram os céus, infestando as regiões celestes
b) A terra
– o reino vegetal (Gn 3.17,18; Is 55.13), foi amaldiçoado por causa do pecado do homem, porém será redimido na volta de Cristo
– o reino animal (Gn 9.1-3; Is 11.6-9), haverá paz
c) a raça da humanidade (Ec 7.20)
– todos pecaram (Rm 3.10,23; Sl 14.2,3; Is 53.6; 1Jo 1.8-10)
– todos são culpados perante Deus (Rm 3.19; Sl 130.3; 143.2; Gl 3.10)
– os homens são filhos da ira (Ef 2.3; Jo 8.44; 1Jo 3.3-8), por natureza, mais quando somos alcançados por Cristo, passamos a ser filhos de Deus;
– afastados de Deus (Ef 4.18; 1Co 2.14), a ponto de não ser mais objeto de sua afeição;
– corruptos e enganosos quanto à sua natureza (Jr 17.9; Gn 6.5,12; 8.21; Sl 94.11; Rm 1.19-31), relação anormal para consigo e seu semelhante;
– escravizados pelo pecado e mortos no pecado (Rm 6.17; Ef 2.1; Rm 7.5,7,8,14,15,19,23,24), tira a liberdade de viver, transformando em vil escravo, levando a morte (física, espiritual e eterna)
– antagônicos para com Deus e identificados com seu adversário (Rm 8.7,8; Ef 2.2)
– seus corpos debilitados e condenados a morte (2Co 4.7; Rm 8.11), até a obra redentora de Cristo se completar;
– aviltados em seu caráter e conduta (Tt 3.3; Ef 2.3; Cl 3.5-7), recipiente de toda uma natureza depravada;
3.2. O castigo do pecado
a) Castigo divino do pecado funcione realmente como elemento inibidor;
b) A justiça de Deus o exige, para que ele seja glorificado no universo que criou (Ez 18.4);
c) Ele é o Senhor que pratica “misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor” (Jr 9.24).

III. CONCLUSÃO

Parece que o pecado permeou todo o universo, incluindo cada reino da criação e afetando cada raça e espécie entre as criaturas, com resultados funestos. Contudo:
“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho…., para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”(Gl 4.4s). Essa declaração aponta para a desolação da qual Deus liberta o homem por meio de Cristo.
“A lei veio de lado para que avultasse a transgressão; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20).

O  livro de Apocalipse

Autor: Apóstolo João
Data: Cerca de 79—95 dC

Autor

         O autor se refere a si mesmo quatro vezes como João (1.1,4,9; 22.8). Ele era tão bem conhecido por seus leitores e sua autoridade espiritual era tão amplamente reconhecida que ele não precisou estabelecer suas credenciais. A Antiga tradição eclesiásticas atribui unanimemente este livro ao apóstolo João.

Antecedentes e Data

         As evidências em Apocalipse indicam que foi escrito durante um período de extrema perseguição aos cristãos, que possivelmente tenha começado com Nero depois do grande fogo que quase destruiu Roma, em Julho de 64 dC, e continuou até seu suicídio, em junho de 68 dC. Segundo esta visão, portanto, o livro foi escrito antes da destruição de Jerusalém em setembro de 70 dC, e é um profecia autêntica sobre o sofrimento continuo e a perseguição dos cristãos, que tornou-se bem mais intensa e severa nos anos seguintes. Com base em declarações isoladas pelos patriarca da igreja primitiva, alguns intérprete datam o livro perto do final do reino de Domiciano (81-96 dC), depois de João ter fugido para Éfeso.

Ocasião e Objetivo

         Sob a inspiração do Espírito e do AT, João sem dúvida vinha refletindo os acontecimento horripilantes que ocorriam em Roma e em Jerusalém quando ele recebeu a “profecia” do que estava para acontecer— a intensificação do conflito espiritual confrontando a igreja (1.3), perpetrada pelo estado anticristão e numerosas religiões anti-cristãs. O objetivo desta mensagem era fornecer estímulo pastoral aos cristãos perseguidos, confortando, desafiando e proclamando a esperança cristão garantida e certa, junto com a garantia de que, em Cristo, eles estavam compartilhando o método soberano de Deus de superar totalmente as forças do mal em todas suas manifestações. O Apocalipse também é um apelo evangelístico a todos aqueles que estão atualmente vivendo no reino das trevas para entrar no Reino da Luz (22.17)

Conteúdo

         A mensagem central do Apocalipse é que “Deus Todo-poderoso reina” (19.6). Este tema foi validado na história devido à vitória do cordeiro, que é “o Senhor dos senhores e Reis dos reis” (17.14).

         Entretanto, aqueles que seguem o Cordeiro estão envolvidos em um conflito espiritual contínuo e, sendo assim, o Apocalipse fornece um maior discernimento quanto à natureza e tática do inimigo (Ef 6.10-12). O dragão, frustrado por sua derrota na cruz e pelas conseqüentes restrições imposta sobre sua atividade, e desesperado para frustrar os propósito de Deus perante seus destino inevitável, desenvolver uma trindade forjada a “fazer guerra” com os santos (12.17). A primeira “besta” ou monstro simboliza a realidade do governo anticristão e poder político (13.1-10,13). A segunda, a religião anticristã, a filosofia, a ideologia (13.11-17). Juntos, eles forma a sociedade, comercio e cultura secular cristã definitivamente enganosa e sedutora, a prostituta Babilônia (caps 17-18), composta daqueles que “habitam a terra”. Eles, portanto, possuem a “marca” do monstro, e seus nomes não estão registrado no “Livro da Vida do Cordeiro”. O dragão delega continuamente seu poder restrito e autoridade aos monstros e seus seguidores a fim de enganar e desanimar qualquer pessoa do propósito criativo-redentor de Deus.

Forma Literária

         Depois do prefácio, o Apocalipse começa (1.4-7) e termina em (22.21) como uma carta típica do NT. Embora contenha sete cartas para sete igrejas, está claro que cada membro deve “ouvir” a mensagem a cada uma das igrejas (2.7,11,17,29; 3.6,13,22), bem como a mensagem do livro inteiro (1.3; 22.16), a fim de que possam obedecer-lhe (1.3; 22.9). Dentro desta carta está “a profecia” (1.3; 10.11; 19.10; 22.6-7,10,18-19). De acordo com Paulo, “o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação(estímulo) e consolação” (1Co 14.3). O profeta fala a Palavra e Deus como um chamamento à obediência na situação presente e na situação futura imediata, tendo em vista o futuro definitivo. Essa profecia não deveria ser selada (22.10) por ser relevante aos cristão de todas as gerações.

Método de Comunicação

        João recebeu essas profecias de uma série de visões vívidas contendo imagens simbólicas e números que ecoam aqueles encontrados nos livros proféticos do AT. João registra essas visões na ordem cronológica na qual as recebeu, muitas das quais retratam os mesmos acontecimentos através de diferentes perspectivas. Entretanto, ele não fornece uma ordem cronológica na qual determinados acontecimentos históricos devem acontecer. Por exemplo, Jesus nasceu no cap.12, é exaltado no cap.5 e está caminhando em meio às suas igreja no cap.1. A besta que ataca as duas testemunhas no cap.12 não é trazida à existência até o cap.13. João registra uma série de visões sucessivas, e não uma série de acontecimentos consecutivos.

         O Apocalipse é um quadro cósmico— uma série de quadros vivos coloridos, elaborados, acompanhados e interpretados por oradores cantores celestiais. A palavra fala é prosa elevada, mais poética do que nossas traduções indicam. A música é semelhante a uma cantata. Repetidamente são introduzidos temas, mais tarde reintroduzidos, combinados com outros temas desenvolvidos.

         Toda a mensagem é “notificada” (1.1). Há um segredo para a compreensão das visões, todas as quais contém linguagem figurativa que aponta para realidades espirituais em e por trás da experiência histórica. Os sinais e símbolos são essenciais porque a verdade espiritual e a realidade invisível deve sempre ser comunicada a seres humanos através de seus sentidos. Os símbolos apontam para o que é definitivamente indescritível. Por exemplo, o relato de gafanhotos demoníacos do abismo (9.1-12) cria uma impressão vívida e horripilante, mesmo que os mínimos detalhes não tenham a intenção de ser interpretados.

Cristo Revelado

         Quase todos os títulos usados em várias partes do NT para descrever a natureza divino– humana e ao obra redentora de Jesus são mencionados pelo menos uma vez no Apocalipse, que junto com uma série de títulos adicionais, nos fornece uma revelação multidimensional da posição presente, do ministério contínuo e da vitória definitiva do Cristo exaltado.

        Embora o ministério terreno de Jesus seja condensado entre sua encarnação e ascensão em 12.5, o Apocalipse afirma que o Filho de Deus, como Cordeiro, terminou completamente sua obra de redenção (1.5-6). Através de seu sangue, os pecadores foram perdoados, purificados (5.6,9; 7.14; 12.11) liberados (1.5) e fizeram reis e sacerdotes (1.6; 5.10). Todas as manifestações resultantes de sua vitória aplicada baseiam-se em sua obra terminada na cruz; portanto, satanás foi derrotado (12.7-12) e preso (20.1-3). Jesus ressuscitou dos mortos e foi entronado como Soberano absoluto sobre toda a criação (1.5; 2.27). Ele é o “Reis dos reis e o Senhor dos senhores” (17.14; 19.16) e deve receber a mesma adoração que recebe de Deus, o Criador ( 5.12-14).

        O único que é “digno” para executar o propósito eterno de Deus é o “Leão de Judá”, que não é um Messias político, mas um Cordeiro morto (5.5,6). “O Cordeiro” é seu título primário, utilizado vinte e oito vezes em Apocalipse. Como aquele que conquistou, ele tem a legítima autoridade e poder de controlar todas as forças do mal e suas conseqüências para seus propósitos de julgamento e salvação (6.1-7.17). O Cordeiro está no trono (4.1-5.14; 22.3).

         O Cordeiro, como “um semelhante ao Filho do Homem”, está sempre no meio de seu povo (1.9-3.22; 14.1), cujos nomes estão registrados em seu livro da vida (3.5; 21.27). Ele os conhece intimamente, e com um amor incomensuravelmente sagrado, ele cuida, protege, disciplina e os desafia. Eles compartilham totalmente sua vitória presente e futura (17.14; 19.11-16; 21.1-22.5), bem como a “ceia das bodas” (19.7-9; 21.2) presente e futura. Ele habita neles (1.13), e eles habitam nele (21.22).
         Como “um semelhante ao Filho do Homem”, ele também é o Senhor da colheita final (14.14-20). Ele derrama sua ira em julgamento sobre satanás (20.10), seus aliados (19.20; 20.14) e sobre os espiritualmente “mortos” (20.12,15) – todos aqueles que escolheram “habitar na terra” (3.10).
        O cordeiro é o Deus que está chegando (1.7-8; 11.17; 22.7,20) para consumar seu plano eterno, para completar a criação da nova comunidade de seu povo em “um novo céu e uma nova terra” (21.1) e restaurar as bênçãos do paraíso de Deus (22.2-5). O Cordeiro é a meta de toda a história (22.13)

O Espírito Santo em Ação

        A descrição do Espírito Santo como “os sete Espíritos” de Deus (1.4; 3.1; 4.5; 5.6) é distinta no NT. O número sete é um número simbólico, qualitativo, comunicando a idéia de perfeição. Portanto, o Espírito Santo é manifestado em termos de perfeição de sua atividade dinâmica, complexa. As “sete lâmpadas de fogo” (4.5) sugerem seu ministério iluminador, purificador e energizador. O fato de os sete espíritos estarem diante do trono (1.4; 4.5) e serem simultaneamente os olhos do Cordeiro (5.6) significa a trindade una essencial de Deus que se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Trata-se de um “habitar “ mútuo de Pessoas sem dissolver as distinções de ser e funções essenciais.

        Cada uma das mensagens para as sete igreja é do Senhor exaltado, mas o membros individuais são incitados a ouvir “o que o Espírito diz” (caps.2-3). O Espírito diz somente o que o Senhor Jesus diz.

        Portanto , o Espírito é o Espírito da profecia. Cada profecia genuína é inspirada pelo Espírito Samto e presta testemunho a Jesus (19.10). As visões proféticas são comunicadas e João somente quando ele está “no Espírito” (1.10; 4.2; 21.10). O conteúdo dessas visões não é nada menos qo que a “Revelação de Jesus Cristo” (1.1).
         Toda profecia genuína exige uma resposta. “O Espírito e a esposa dizem: Vem!” (22.17). Todos ouvem ou se recusam a ouvir esse apelo. O Espírito está operando continuamente em e através da igreja para convidar a entrar aqueles que permanecem fora da Cidade de Deus. Apenas mediante a habilitação do Espírito é permitido que a esposa testemunhe e “suporte pacientemente”. Portanto, o Espírito penetra na experiência atual daqueles que ouvem com antegozo do cumprimento futuro do Reino.

Esboço de Apocalipse

Prólogo 1.1

I. As cartas às sete igrejas 1.9-3.22

O cenário: um semelhante ao Filho do Homem 1.9-20

As cartas 2.1-3.22

II. Os sete selos 4.1-5.14

O cenário 4.1-5.14

Os selos 6.1-8.1

III. As sete trombetas 8.2-11.18

O cenário: O altar dourado 8.2-6

As trombetas 8.7-11.18

IV. Os sete sinais 11.19-15.4

O cenário: A arca do concerto 11.19

Os sinais 12.1-15.4

V. As sete taças 15.5-16.21

O cenário: O templo do testemunho 15.5-16.1

As sete taças 16.2-21

VI. Os sete espetáculos 17.1-20.3

O cenário: Um deserto 17.1-3

Os espetáculos 17.3-20.3

VII. As sete visões da consumação 20.4 –22.5

O Cenário: 20.4-10

As cenas 20.11-22.5

Epílogo 22.6-21

Sete testemunhas de confirmação 22.6-17

Advertências final e garantia 22.18-20

Bênção 22.21

40 ANOS NO DESERTO

 As peregrinações que os filhos de Israel realizaram, marchando desde o Egito até à terra de Canaã, foram uma escola importante para sua instrução. 

Foi em Ramessés que principiou a marcha dos israelitas. O caminho direto deste lugar para Canaã teria sido pela terra dos filisteus, ao norte dos lagos Amargos, e ao longo da orla setentrional do deserto de Sur. Todavia, essa direção foi-lhes proibida (Ex 13.17,18); e por isso, depois de por certo tempo tomarem o rumo oriental, prosseguiram para o sul, exultando certamente com isso o Faraó, porque julgava assim em seu poder. 
Acamparam a primeira noite em Sucote, que não devia ter sido longe de Ramessés. Pela segunda tarde chegaram à orla do deserto, em Etã. Provavelmente agora deviam ter seguido para o Oriente, mas foi-lhes ordenado que “retrocedam e que acampem defronte de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baat-Zefom” (Ex 14.2); era um estreito desfiladeiro, perto da costa ocidental do Golfo, entre os montes que guarnecem o mar e uma pequena baia ao sul. Ficavam deste modo “desorientados na terra”. 
Esse movimento teve o efeito  de atrair o Faraó, para junto deles; e o desígnio de alterar desta forma a linha da sua marcha foi revelada a Moisés (Ex 14.17). Os egípcios aproximaram-se dos israelitas quando estes estavam acampados diante do braço ocidental do mar Vermelho. Como, quer na extensão, quer na profundidade do golfo de Suez, se operou uma notável mudança  no decorrer destes últimos trezentos anos, em virtude duma grande acumulação de areia, é por esta razão impossível determinar o lugar onde os israelitas atravessaram. Eles passaram pelo mar  em seco para o lado oriental, perto do sítio agora chamado Ayun Musa (poços de Moisés), principiando aqui o deserto de Sur (Ex 15.22), ou o deserto de Etã (Nm 33.8). Estas duas expressões de aplicam à parte superior do deserto; este deserto estende-se desde o Egito até à praia oriental do mar Vermelho, e alarga-se para o Norte até à Palestina. 

O caminho que os israelitas tomaram é uma larga vereda pedregosa, entre as montanhas e a costa, na qual correm no inverno vários ribeiros, que nascem nos montes. Nesta ocasião tudo devia estar seco. O lugar onde primeiramente estacionaram foi Mara (amargo), onde foi operado o  milagre de se tornar doce a água amarga (Ex 15.23-25). O sítio onde isto aconteceu é, provavelmente, Ain Hawara, perto do riacho, chamado Wady Amarah, que tem a mesma significação de Mara.
A seguinte estação foi Elim, “onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras” (Ex 15.27); este sítio fixado por Niebhr e Burckhardt no vale onde corre  Ghurundel, que é a maior de todas as correntes, no lado ocidental da península. Este vale contém agora tamareiras, tamargueiras, e acácias de diferentes espécies. Obtém-se aqui água em abundância, cavando poços; há, também, uma copiosa nascente, com um pequeno regato. 
Chegaram depois os israelitas ao deserto de Sim, “entre Elim e Sinai” (Ex 16.1), no sopé da escarpada cumeeira de et-Tih,  um nome que significa “divagação”; é “um deserto medonho, quase inteiramente destituído de vegetação”. Foi logo depois de terem entrado neste deserto que os israelitas obtiveram miraculosa provisão de codornizes e de maná. Os estudiosos supõe que eles tomaram em seguida a direção do sueste, marchando para a cordilheira do Sinai. Neste caso, a sua passagem teria sido pelo extenso vale, a que os árabes chamamWady Feiran. Passaram depois por Dofca e Alus. O vale Feiran é o sítio mais fértil de toda a região; e é aqui que devemos procurar Refidim, onde pela primeira vez foram atacados (Ex 17.8-13). Jetro, sogro de Moisés, também o visitou em Refidim; e pelo seu conselho foram nomeados juízes para ajudar o chefe israelita na ação judicial (Ex 18). E aqui, entre elevados picos, estava a rocha que, por mandado de Deus, foi ferida por Moisés, saindo dela depois abundância de água.
Em seguida fizeram seu acampamento no ermo do Sinai, onde o Todo-Poderoso revelou à multidão a Sua vontade por meio de Moisés; foi dado o Decálogo (dez mandamentos) ao homem, e foi estabelecido o Pacto (Ex 20.1-17; 24.7,8). Neste deserto também se deu o caso do culto prestado ao bezerro de ouro, e a enumeração do povo, e a construção do Tabernáculo; além disso, Arão e seus filhos foram consagrados, celebrou-se a segunda Páscoa, e morreram Nadabe e Abiú por terem oferecido fogo estranho ao Senhor. 
O monte, onde a Lei foi dada, chama-se Horebe no Deuteronômio, e Sinai nos outros livros do Pentateuco (5 livros: Gn, Ex, Lv, Nm e Dt). Provavelmente o primeiro nome designa todo o território, e o outro simplesmente a montanha, onde foi revelada a Lei. 

Permaneceram os israelitas no deserto do Sinai um ano  aproximadamente, aparecendo de novo o sinal para a partida. Desde então as suas marchas e acampamentos foram sempre dirigidos pelo Senhor. Uma nuvem, que manifestava a Sua presença, cobria o tabernáculo de dia, e à tarde estava sobre o tabernáculo uma aparência de fogo até à manhã” (Nm 9.15). O levantar da nuvem era sinal de avançar, caminhando eles após ela; e, quando parava a nuvem sobre o tabernáculo, queria isso dizer que deviam acampar de novo. As suposições, são que eles passaram para o norte, ao longo do Wady esh-Sheikh, entrando numa grande planície chamada el-Hadharah, na qual estava Taberá, nome que significa “incêndio”, e que lhe foi dado em virtude de ser ali destruído pelo fogo, que caiu do céu, num certo número de israelitas insurgentes (Nm 11.1-3). 
A estação seguinte foi Quibrote-Taavá, ou os “sepulcros da concupiscência” (Nm 11.34; 33.16). De Quibrote marcharam para Hazerote onde ocorreu a sedição de Miriã e Arão (Nm 12). As estações nesta parte do deserto foram Ritmá, Rimom-Perez, Libna e Cades-Barneia, sendo alcançado provavelmente este último lugar pelo mês de junho mais ou menos. 

Quando se aproximava da Terra Prometida, foram mandados alguns espias (espiões) para a examinarem; mas, quando voltaram, as suas informações foram de tal modo aterrorizadores que o povo se revoltou; e por esta razão os hebreus tiveram de errar no deserto pelo espaço de quarenta anos. Saindo os israelitas de Cades-Barneia, depois da sua segunda visita, em que houve a provocação ao Senhor nas águas de Meribá, vieram eles até ao monte de Hor, perto de Petra, onde morreu Arão.

Esse monte, verdadeiro trono de desolação, consta de quebradas, de ruínas e de escuras profundidades. Os árabes chamam-lhe Jebel Neby Hayran, que quer dizer: o “monte do profeta Arão”; e ainda hoje, quando uma caravana oriental avista seu cume, sacrifica um cordeiro em memória daquele grande sacerdote. Passando pelo Wadi Arabah (provavelmente o “deserto de Zin”) para Eziom-Geber (da segunda vez) e Elate, o povo chegou ao golfo oriental do mar Vermelho, e voltou para o norte pelo deserto oriental da Arábia. Neste lugar existe um grande desfiladeiro, vindo do nordeste através das montanhas, constituindo a principal passagem no Wadi Arabá para o deserto. A ascensão dos israelitas foi, sem dúvida por esta estreita passagem, quando de desviaram do mar Vermelho, e voltaram aos territórios de Edom. Nesta ocasião o povo estava muito desanimado por causa do caminho, e murmurou conta Deus e contra Moisés. As suas murmurações foram castigadas, aparecendo entre eles umas serpentes ardentes, cujas mordeduras produziam a morte; mas, por mandado do Senhor, foi levantada uma serpente de bronze, sendo curados os que para ela olhavam com fé. Prosseguiram  depois a sua viagem pelas faldas orientais das montanhas de Seir.

Os edomitas que primeiramente lhes haviam recusado a passagem pela sua terra, agora consentiam, fornecendo-lhes também alimentos para o seu caminho (Dt 2.3-6). Nada se sabe  das suas passagens até que chegaram a Zerede, um pequeno ribeiro que corre pelas montanhas até à extremidade ocidental do mar Morto. E partindo daquele Sítio “acamparam-se na outra margem de Arnom, que… é o termo de Moabe, entre Moabre e os Amorreus” (Nm 21.13). E dali se dirigiram para Beer, ou Beer-Elim, o poço dos nobres do povo, onde vendo que estavam quase chegados ao fim do deserto, e na perspectiva duma rápida entrada na Terra Prometida, entoaram o “cântico do poço” (Nm 21.17,18).

Os israelitas, após este acontecimento, desbarataram o seu terrível inimigo Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, e cujos territórios se estendiam ao longo das praias do mar Morto, e pelo vale oriental do Jordão até ao rio Jaboque. Saindo vitoriosos na guerra contra Ogue, que ganhara os territórios ao oriente do mar da Galiléia, os israelitas apoderaram-se da parte oriental do vale do Jordão. Estas terras conquistadas, sendo boas para pastagens, foram cedidas às tribos de rúben e Gade, e à meia tribo de Manassés, que tinha muito gado; mas foi com a condição de auxiliarem as outras tribos na sua conquista de Canaã, ao ocidente do Jordão (Nm 32; Dt 3.8-20; Js 1.12-18). E por este motivo a seguinte estação foi chamada Dibom-gade, para distinguir de outra Dibom pertencente aos rubenitas (Js 13.17). As ruínas desta povoação, com o nome de Dibom, vêem-se cerca de seis quilômetros ao norte do rio Arnom. Deste lugar caminharam para Almom-Diblatain ou Diblataim, de onde seguiram para as serras de Abarim, em frente do monte Nebo. Finalmente acamparam perto do Jordão, desde Bete-Jesimote até Bete-Sitim, em frente de Jericó (Nm 33.49).

E assim terminou uma jornada de quarenta anos, atravessando principalmente lugares desertos, viagem que podia ter-s efetuado nalgumas semanas. 

Dicionário Bíblico Universal

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